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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Opinião | "Ronda das Mil Belas em Frol", de Mário de Carvalho


Título: Ronda das Mil Belas em Frol
Autor(a): Hélder Gueguez
Editora: Porto Editora
N.º de Páginas: 101 páginas
Edição: 2016

Classificação:  4 estrelas



Sinopse:
Eis um livro de ficção sobre sexo. Todas as histórias nele contidas narram percalços, espantos e sobressaltos de ligações íntimas entre homens e mulheres. O que se desvenda, o que se oculta. Rasgos perversos. Permanências e rupturas.

Nem sempre se encontra o que se espera, nem se espera o que se encontra. A variedade é avassaladora. A diferença inevitável. Neste jogo de corpos enlaçados, não poucas leitoras ficarão admiradas com certo olhar masculino. Talvez passem a conhecer ainda melhor outras mulheres. E os leitores também não perdem nada em saber o que pode surpreendê-los nas voltas do mundo.



Opinião:
A sinopse não engana. É de facto um livro sobre sexo. Sexo no seu estado puro e cru. Nunca tinha lido nada do autor e achei que esta era a altura certa. Não é muito habitual fazê-lo, mas vi algumas críticas sobre o livro e até uma entrevista do autor sobre o livro. Fiquei interessada. 

Este é um livro de contos sobre as relações entre homens e mulheres. Descobrimos uma escrita despretensiosa e despedida de preconceitos. Sem ofensas, sem pudor, mas por vezes mais mais dura para os mais sensíveis. 

Gostei. Um leitura agradável. Fazem falta mais livros assim: sem medos de dizer as coisas como ela são.

Recomendo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Opinião | "Em Português Se Faz Favor", de Helder Guégués


Título: Em Português, Se Faz Favor
Autor(a): Helder Guégués
Editora: Guerra & Paz
N.º de Páginas: 280 páginas
Edição: 2015

Classificação:  4 estrelas



Sinopse:
Um livro útil para todos os falantes comuns que queiram exprimir-se melhor em português.
Fundamentado na sua larga experiência como revisor e inspirado num mote dado por Francisco Rodrigues Lobo, o autor aponta-nos alguns dos erros e confusões mais comuns, passando por questões de regência verbal, ortografia, pronúncia, concordância, modismos e mau uso e formação do plural, sempre com abonações reais.
 



Opinião:
Sempre me preocupei em escrever bem. Falar bem. Estudo para isso. Mas não sou perfeita. Erros acontecem. Por desconhecimento ou por distracção. Desde que tenho o blogue, e que partilho as minhas opiniões para quem as quiser ler, que me preocupo cada vez mais com este assunto. 

Gosto de ler, mas também gosto de escrever. E livros como este são essenciais em qualquer biblioteca. Acompanho o blogue do autor, O Linguista, já há algum tempo recomendado por um formador desta área.

É escusado dizer todo o conhecimento que o autor tem e a sua experiência, pois isso é notório ao longo de todo o livro. Gostei da apresentação de casos práticos, em que podemos perceber realmente o erro. Aprendi e continuo a aprender muito com este livro, pois é um livro que se lê e relê sempre. 


A escrita é algo pessoal, intransmissível. Vamos escrever melhor, para ler melhor. Este é um livro para ter na secretária e ser consulado sempre que for necessário. Gostaria de ver mais obras publicadas pelo autor.

Recomendo. 


Nota:

Este livro foi-me disponibilizado pela editora Guerra & Paz em troca de uma opinião honesta. 
Para mais informações sobre o livro clique aqui.




terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Opinião | "A Gorda", de Isabela Figueiredo


Título: A Gorda
Autor(a): Isabela Figueiredo
Editora: Caminho
N.º de Páginas: 288 páginas
Edição: 2016

Classificação:  4 estrelas



Sinopse:
Maria Luísa, a heroína deste romance, é uma bela rapariga, inteligente, boa aluna, voluntariosa e com uma forte personalidade. Mas é gorda. E isto, esta característica física, incomoda-a de tal modo que coloca tudo o resto em causa. Na adolescência sofre, e aguenta em silêncio, as piadas e os insultos dos colegas, fica esquecida, ao lado da mais feia das suas colegas, no baile dos finalistas do colégio. Mas não desiste, não se verga, e vai em frente, gorda, à procura de uma vida que valha a pena viver.


Opinião:
Quis ler este livro pela história, pelo título, por tudo. Como não ler?! Um livro que só pelo título rompe com alguns estereótipos do mundo e pessoas perfeitas. Quis ler sem juízos de valor, como aliás tento fazer sempre.

Um romance que me agarrou logo de início. Pela escrita nua e crua, pela forma como construiu a narrativa, mas sobretudo pela personagem principal, a Maria Luísa. Todos os seus pensamentos, emoções mexeram comigo. Gosto quando os protagonistas possuem uma carga psicológica forte. 

Todos nós, homens ou mulheres, somos mais do que matéria física. Somos emoções, sentimentos...Está em cada um de nós transmitir isso ao mundo. Somos aquilo que quisermos, dando a nossa opinião, mostrando aquilo o melhor de nós.

Leiam.

Boas leituras.


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Opinião | "Nem Todas as Baleias Voam", de Afonso Cruz


Título: Nem Todas as Baleias Voam
Autor(a): Afonso Cruz
Editora: Companhia das Letras
N.º de Páginas: 280 páginas
Edição: 2016

Classificação:  4 estrelas



Sinopse:
Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, para cativar a juventude de Leste para a causa americana. A ideia era organizar concertos com grandes nomes do jazz para lá das fronteiras do Muro e, assim, derrubar barreiras e preconceitos anti-americanos, seduzir o inimigo com a música e ganhar terra.

É neste pano de fundo que conhecemos Alex Gould, pianista exímio, apaixonado, capaz de visualizar sons e de pintar retratos nas teclas do piano. A música está-lhe tão entranahada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro, sem deixar rasto, sem deixar uma carta de despedida.

Erik Gould tentará de tudo para a reencontrar, mas não lhe restanto mais esperança do que o acaso. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que encontrará dentro de uma caixa de sapatos um caminho para recuperar a alegria.



Opinião:
Afonso Cruz deve ser o autor mais consensual que conheço. Não há ninguém que não goste da sua escrita. Daí ser muito difícil falar sobre um livro da sua autoria. 

É evidente a mestria do autor para contar e escrever histórias (e não só, como alguns de vós saberão). O autor é também músico e isso transparece nesta história. Entramos no mundo do jazz e dos seus compositores. 

As emoções durante esta leitura foram muitas. Um livro que no início demorou "a prender", mas que me foi agarrando de uma forma brilhante e madura. 


Tudo o que possa transmitir sobre este livro será de mais. Quero que descubram e que sintam o vosso caminho. Leiam! É o que vos posso dizer.

Boas leituras.










sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Opinião | "A Vida no Campo", de Joel Neto


Título: A Vida no Campo
Autor(a): Joel Neto
Editora: Marcador
N.º de Páginas: 232 páginas
Edição: 2016

Classificação:  5 estrelas



Sinopse:
Um homem e uma mulher. Um jardim e uma horta. Dois cães. Ao fim de vinte anos na grande cidade, Joel Neto instalou-se no pequeno lugar de Dois Caminhos, freguesia da Terra Chã, ilha Terceira. Rodeado de uma paisagem estonteante, das memórias da infância e de uma panóplia de vizinhos de modos simples e vocação filosófica, descobriu que, afinal, a vida pode mesmo ser mais serena, mais barata e mais livre. E, se calhar, mais inteligente. 


Opinião:
Este livro despertou-me a curiosidade pela capa (muito bonita) e por ser de não-ficção. Os seguidores mais atentos do blogue conhecem o meu gosto por este género.

Já há algum tempo que leio maravilhas deste autor e do seu livro "Arquipélago" (que ainda não li). A minha estreia com o autor foi com A Vida no Campo. E foi uma excelente estreia. Fiquei rendida. A escrita é maravilhosa, real, honesta.

Este é um livro que se apresenta em forma de diário e dividido pelas estações do ano: Outono, Inverno, Primavera e Verão. O autor vai-nos contando o seu dia-a-dia na Ilha Terceira, onde vive.

É através daquilo que o autor nos conta o tipo de vida que, em família, decidiram ter. Uma vida tranquila, serena, desprovida do inútil, do que é demais. A vida agitada na cidade é substituída pela calma do campo. Uma região rica em emoções.

Através das suas histórias somos transportados para um lugar que parecemos conhecer tão bem. Conhecemos regionalismos, nomes próprios muito peculiares e próprios da região e algumas festividades açorianas.

Quero conhecer esta terra que já tanto ouvi falar e que nos transmite paz e serenidade. Talvez um dia.

Boas leituras.


Extra
Site do autor: www.joelneto.com


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Opinião | "De nome, Esperança", de Margarida Fonseca Santos

Título: De nome, Esperança
Autor(a): Margarida Fonseca Santos
Editora: Oficina do Livro
N.º de Páginas: 172 páginas
Edição: 2011

Classificação:  3,5 estrelas




Sinopse:
Mulher reservada e inteligente, Esperança é uma pessoa perdida entre o que escreve e o que vê da realidade, o que viveu e o que desejou. Carlos é um enfermeiro estagiário de psiquiatria que decide, assim que a conhece, tudo fazer para resgatar Esperança rumo a uma vida normal, confrontando-se a cada passo com uma inquietação profunda: no coração da loucura, que espaço resta para a normalidade?

A resposta poder ser apenas que a mente é um lugar estranho. Entrar nos seus domínios é percorrer um labirinto interior de acesso, na melhor das hipóteses, restrito. Num livro em que as várias vozes e os vários tempos se cruzam num emaranhado de expectativas, pensamentos e ilusões, acompanhamos o percurso da Esperança, para quem só existe esperança no nome.




Opinião:
Decidi ler este livro depois de ter participado num workshop sobre "As Palavras". Como as usamos, em que momento as usamos e o que isso os outros e nós próprios. Admirei a sua palavra.

Esperança é o que este livro pretende representar. Esperança nos outros, em nós próprios. Mais um bom livro sobre demências, que não nos dá respostas, mas levanta questões.

O que mais me agradou foi a escrita da autora Margarida Fonseca Santos. É bem mais que uma histórias. São emoções que vemos descritas nas palavras da autora. 

Este livro é contado a várias vozes e em vários espaços temporais, o que pode causar alguma confusão no início. Mas após mergulharmos neste mundo é muito agradável.

Recomendo.


EXTRAS

Outras publicações da autora:
A autora Margarida Fonseca Santos tem diversas obras publicadas em Portugal, tanto na área da ficção, como na área da escrita criativa. Tem muitas outras publicações dedicadas ao publico infantil e juvenil. Deixo-vos apenas alguns exemplos.

Romances e Livros de Memórias


Publicações Infanto-Juvenis


outras publicações ver aqui.




quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Opinião | "Demência", de Célia Correia Loureiro


Título: Demência
Autor(a): Célia Correia Loureiro
Editora: Alfarroba Edições
N.º de Páginas: 400 páginas
Edição: 2011


Classificação:  5 estrelas



Sinopse:
No seio de uma aldeia beirã, Olímpia Vieira começa a sofrer os sintomas de uma demência que ameaça levar-lhe a memória aos poucos. A única pessoa que lhe ocorre chamar para assisti-la é a sua nora viúva, Letícia. Mas Letícia, que se faz acompanhar das duas filhas, tem um passado de sobrevivência que a levou a cometer um crime do qual apenas a justiça a absolveu.

Perante a censura dos aldeões, outrora seus vizinhos e amigos, e a confusão mental da sogra, Letícia tenta refazer-se de tudo o que perdeu e dos erros que foi obrigada a cometer por amor às
filhas. O passado é evocado quando Sebastião, amigo de infância de Olímpia, surge para ampará-la e Gabriel, protagonista da vida paralela que Letícia gostaria de ter vivido, dá um passo à frente e assume o seu papel de padrinho e protector daquelas três figuras solitárias…



Opinião:
Comecei a ler este livro e não o conseguia largar. Sempre que podia dedicava-me a ele. Era um vício. Terminei e pousei-o. Tinha que reflectir. Precisava de espaço e tempo para digerir a história. Não conseguia escrever nada. Não porque não soubesse o que dizer, mas como o fazer de um modo a incentivar a todos a lerem este livro.

Nunca tinha lido nenhum livro da autoria da Célia Correia Loureiro. Já há muito que a conhecia destas andanças do blogue. Não posso dizer que comecei tarde, pois nestas coisas da leitura vamos sempre a tempo de descobrir novos autores e novas histórias.

Um dos melhores livros que já li, quer em termos de escrita, quer na sua essência. A escrita da Célia agarra de uma forma bonita e simples. Envolve-nos na narrativa como ninguém, com a sua pureza nas palavras.

Um livro sobre o amor de mãe, as demências e como (não) lidamos elas, a vida no seu estado mais puro. Um livro que me tocou bastante, não pelo tema, mas por toda a sua envolvência.

Li, mas quero reler. Leiam-no também! Acho que não se vão arrepender.





segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Opinião | "Tóquio Vive Longe Daqui", de Ricardo Adolfo


Título: Tóquio Vive Longe da Terra
Autor(a): Ricardo Adolfo
Editora: Companhia das Letras
N.º de Páginas: 208 páginas
Edição: 2015

Classificação:  4 estrelas



Sinopse:
Fugi da terra à procura de mundos desconhecidos e novas versões de mim. Do outro lado do mundo dei com uma ilha onde me tornei num alien, shogun da noite, assalariado de dia e amigo de aluguer ao fim de semana. Cada dia mais perdido deixei-me ficar feliz.

Opinião:
Este livro foi a minha estreia com o autor Ricardo Adolfo. Há algum tempo que oiço falar dele e assim que tive oportunidade de ler este livro não hesitei. Os motivos? Fala da vivência do autor num país que me interessa, o Japão e porque gosto sempre de ler novos autores, sobretudo se forem portugueses.

Este é um livro muito fácil de ler, pois sentimos que estamos a ler um diário. Embora seja inspirado na vivência do Ricardo Adolfo em Tóquio esta é uma obra de ficção. Vivemos o dia-a-dia de um tradutor que se sente como um alien naquela sociedade tão diferente do seu país de origem. 

Um livro muito interessante, com um humor muito peculiar e uma leveza inesperada. Este não é certamente o único livro que leio do autor.

Gostei muito.





terça-feira, 15 de novembro de 2016

Opinião | "Quando Éramos Mentirosos", de E. Lockhart


Título: Quando Éramos Mentirosos
Título original: We Were Liars
Autor(a): E. Lockhart
Editora: ASA
N.º de Páginas: 312 páginas
Edição: 2014

Classificação:  1 estrela


Sinopse:
E se alguém lhe perguntar como acabar este livro… MINTA.

A família Sinclair parece perfeita. Ninguém falha, levanta a voz ou cai no ridículo. Os Sinclair são atléticos, atraentes e felizes. A sua fortuna é antiga. Os seus verões são passados numa ilha privada, onde se reúnem todos os anos sem exceção.
É sob o encantamento da ilha que Cadence, a mais jovem herdeira da fortuna familiar, comete um erro: apaixona-se desesperadamente. Cadence é brilhante, mas secretamente frágil e atormentada. Gat é determinado, mas abertamente impetuoso e inconveniente. A relação de ambos põe em causa as rígidas normas do clã. E isso simplesmente não pode acontecer.
Os Sinclair parecem ter tudo. E têm, de facto. Têm segredos. Escondem tragédias. Vivem mentiras. E a maior de todas as mentiras é tão intolerável que não pode ser revelada. Nem mesmo a si. 

Opinião:
Este livro foi uma leitura conjunta com a Dora do canal do Youtube Book & Movies e com a Elisa. E foi única e exclusivamente por isso que não desisti desta leitura.

Este é daqueles livros controversos, em que vemos opiniões excelentes e outras não tão boas. Não é consensual. Mas também...qual seria a graça disso?!

Perdoem-me os seguidores que gostaram desta história, mas este livro não é para mim. Não gostei da escrita , com péssimas metáforas. Não gostei das personagens, nem do enredo. Não senti interesse em continuar a ler a não ser pela partilha que tive com as meninas.

Mas o que não é para mim pode ser para vocês. Arrisquem! Quem sabe se não gostam!

Boas leituras. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Opinião | "O Miniaturista", de Jessie Burton


Título: O Miniaturista
Título original: The Miniaturist
Autor(a): Jessie Burton
Editora: ASA
N.º de Páginas: 412 páginas
Edição: 2015

Classificação:  4 estrelas


Sinopse:
Num dia de outono de 1686, a jovem Nella Oortman, recém-casada com um próspero mercador de Amesterdão, Johannes Brandt, chega à cidade na expetativa da vida esplendorosa que este casamento auspicioso lhe promete. Mas, entre a amabilidade distante do marido e a presença repressiva da cunhada, Nella sente-se sufocar na sua nova existência. Até que um dia, Johannes lhe oferece uma réplica perfeita, em miniatura, da casa onde vivem. Nella encomenda então a um miniaturista algumas peças para ornamentar a casa. Mas algo de surpreendente acontece: novas encomendas de miniaturas continuam a chegar sem terem sido solicitadas, como presságios silenciosos de futuras tragédias. Um romance de estreia magnífico, sobre amor e traição, que evoca com grande sensualidade a atmosfera da Amesterdão do século XVII.


Opinião:
Parti para esta leitura sem expectativas. Procurei não ver muitas opiniões, nem saber muito sobre o livro. Provavelmente um hábito que vou começar a adoptar.

Foi uma leitura muito agradável. Embora tenha uma escrita algo diferente daquilo que estou habituada, foi um leitura fluída. Gosto de ambientes misteriosos, gosto de ser transportada para épocas e lugares completamente diferentes da minha realidade. Gostei também do desenvolvimento da narrativa e do crescimento das personagens.  

Contudo, compreendo que este não seja um livro que agradará a todos. Mas felizmente gostei. 

Boas leituras.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Opinião | "Agência de Viagens Lemming", de José Carlos Fernandes


Título: A Agência de Viagens Lemming
Autor(a): José Carlos Fernandes
Editora: Devoir Edições
N.º de Páginas: 141 páginas
Edição: 2015

Classificação:  3 estrelas



Sinopse:
A Agência de Viagens Lemming foi editado em tiras semanais no suplemento de férias do Diário de Notícias em 2005, as histórias foram agrupadas em duas secções: Dez mil horas de jet lag e O síndrome da classe turística.

Quem aprecia A Pior Banda do Mundo vai encontrar aqui múltiplos pontos de contacto, mas A Agência de Viagens Lemming tem uma característica única na obra de JCF: mantendo uma linha condutora, alterna ritmos narrativos, mistura o apontamento curto com a história mais prolongada, e em dois ou três casos, afasta-se do remoque malicioso, que é a sua imagem de marca.


Opinião:
Esta é a segunda graphic novel que leio em pouco tempo. Foi muito interessante ler sobre uma agência de viagens algo peculiar, um mundo inventado pelo autor. Passamos por locais muito característicos e interessantes: 
  • Memorial ao Massacre dos Diabéticos; 
  • monumento aos soldados caídos em combate na Guerra das Borrachas;
  • diversos museus: da Gota, da Sandália, da Cárie, da Escova, do Colesterol, da Cera de Pessoas Banais, de Sabores de Gelados Descontinuados...
Entre muitos outros aspectos com um humor fantástico. O autor aborda o Turismo Nuclear e o Turismo Criminal de uma forma cómica sem perder a seriedade. 

Um livro que vale a pena ler. 

Boas leituras.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Opinião | "Pyongyang - Uma Viagem à Coreia do Norte", de Guy Delisle

Título: Pyongyang - Uma Viagem à Coreia do Norte
Título Original: Pynongyan - A Journey in North Korea
Autor(a): Guy Delisle
Editora: Devir
N.º de Páginas: 176 páginas
Edição: 2015
Prémios Literários: Urhunden Prize for Foreign Album (2014)

Classificação: 4 estrelas


Sinopse:
Relato ilustrado, apresentado com humor e ironia, da estadia do autor na Coreia do Norte, enquanto colaborador do Estúdio de Animação SEK (Scientific Educational Korea).

Opinião:
Antes de entrar neste mundo da blogosfera que desconhecia as graphic novels ou novelas gráficas. E além de algumas BD que gosto de acompanhar nunca tinha lido um livro desta tipologia. 

Encontrei este livro na biblioteca e achei interessante. Sempre gostei de livros de viagens e de memórias. Li o livro Dentro do Segredo, de José Luís Peixoto e mais recentemente Porque Escolhi Viver, de Yeonmi Park. Livros que contam um pouco mais desse país um pouco afastado (em todos os sentidos), que é a Coreia do Norte. Como tal, trouxe este livro logo comigo.

Não tenho motivo de comparação, mas gostei bastante. O autor faz sempre um contraponto com o clássico 1984, de George Orwell (livro que irei ler em breve, sem dúvida) e inclui isso na narrativa. Mesmo ainda não tendo lido 1984 tenho conhecimento do seu enredo. Logo, achei fantástico as comparações feitas pelo autor.

Gostei sobretudo do tom humorístico que o autor colocou em toda a história. O autor pegou em factos do país em questão e "apurou" com um pouco de humor, sem ser insultuoso. É uma forma inteligente de abordar um assunto sério. 

Este é o dia-a-dia de um estrangeiro na Coreia do Norte. Um funcionário de um estúdio de cinema de animação que foi contratado para o departamento de Edição. Como os estrangeiros são "acompanhados" em toda a sua estadia é abordada novamente com algum humor, mas realismo. Toda esta realidade para mim não foi novidade, pois revi tudo isto nos livros que li anteriormente. 

Gostei deste realismo com uma mistura de humor. E sim, fiquei rendida às graphic novels. Venham mais.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Opinião | "As Dez Figuras Negras", de Agatha Christie

Título: As Dez Figuras Negras
Título Original: Ten Little Indians
Autor(a): Ahatha Christie
Editora: ASA
N.º de Páginas: 196 páginas
Edição: 2008

Classificação: 5 estrelas



Sinopse:
Dez pessoas são convidadas a passar uns dias numa ilha privada: mas o seu misterioso anfitrião não aparece e começam a ser assassinadas uma a uma, seguindo as ingénuas instruções de uma canção de embalar.


Dez desconhecidos, que aparentemente nada têm em comum, são atraídos pelo enigmático U. N. Owen a uma mansão situada numa ilha da costa de Devon. Durante o jantar, a voz do anfitrião invisível acusa cada um dos convidados de esconder um segredo terrível, e nessa mesma noite um deles é assassinado.

A tensão aumenta à medida que os sobreviventes se apercebem de que não só o assassino está entre eles como se prepara para ir atacando uma e outra vez…

O que se segue é uma obra-prima de terror. À medida que cada um dos hóspedes é brutalmente assassinado, as suas mortes vão sendo “celebradas” através do desaparecimento de uma de dez estátuas, as “dez figuras negras”.

Restará alguém para um dia contar o que de facto se passou naquela ilha?

Em As Dez Figuras Negras, a Ilha do Negro, local sombrio e desde sempre povoado de mistérios, é palco de uma estranha e implacável forma de justiça, na qual as vítimas se encontram encurraladas pelas circunstâncias e o agressor é invisível e omnipresente. Na colecção das Obras de Agatha Christie iniciada por Edições ASA, este é o primeiro romance em que não figura nenhum detective ou personagem determinante para a (surpreendente)solução dos crimes. 


Opinião:
Recentemente descobri adoro policiais e thrillers. Sempre ouvi falar na fantástica escrita de Agatha Christie. Então no Natal do ano passado li o meu primeiro livro de Agatha Christie: O Natal de Poirot. Confesso que a história não me deslumbrou, mas adorei a escrita. É de facto fantástica. E decidi que iria ler mais da autora.

Só agora o fiz. Li o livro provavelmente mais bonito da minha estante. Este livro é fantástico. Não só pela capa, mas pelo conteúdo. Estava com algumas expectativas pois sempre vi excelentes opiniões deste livro.  

Não me vou alongar sobre a história e toda a sua grandiosidade pois devo ser das poucas pessoas que ainda não tinha lido este livro. Mas para quem ainda não conhece, por favor leiam. Todo o mistério, as personagens e a escrita deste livro são fantásticas.

É tudo. Um dos favoritos do ano!


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Opinião | "Os Hóspedes", de Sarah Waters


Título: Os Hóspedes
Título Original: The Paying Guests
Autor(a): Sarah Waters
Editora: Editorial Bizâncio
N.º de Páginas: 528 páginas
Edição: 2016

Classificação: 4 estrelas


Sinopse:
1922. Londres vive dias de tensão.
Numa casa de gente bem-nascida, no sul da cidade, cujos habitantes ainda não recuperaram das perdas devastadoras da Primeira Guerra Mundial, a vida está prestes a modificar-se.

A senhora Wray, e a sua filha Frances – uma mulher com um passado interessante a caminho de se tornar uma solteirona – vêem-se obrigadas a alugar quartos.
A chegada de Lilian e Leonard Barber, um jovem casal da «classe média», traz uma série de perturbações: a música do gramofone, o colorido, o divertimento. As portas abertas permitem a Frances conhecer os hábitos dos recém-chegados.



À medida que ela e Lilian são empurradas para uma amizade inesperada, as lealdades começam a mudar. Confessam-se segredos e admitem-se desejos perigosos; a mais vulgar das vidas pode explodir de paixão e drama.


A autora de Afinidade e Falsas Aparências, entre outros, surpreende-nos, uma vez mais, com esta história de amor que é também a história de um crime.


Esta é Sarah Waters no seu melhor: tensão permanente, ternura verdadeira, personagens autênticos e surpresas constantes.


Opinião:
Assim que soube que a Editorial Bizâncio iria editar este livro fiquei curiosa. Este é já o terceiro livro da autora que leio. Depois de O Indesejado e O Vigilante percebi que Sarah Waters seria uma das minhas autora preferidas. Gosto da sua escrita, do modo como nos envolve na história, como constrói as personagens de forma tão engenhosa. 

Este livro não foi excepção. Toda a mística que a autora cria no enredo e à volta das personagens é cativante. Relações humanas, o respeito pelos limites um do outro e pela intimidade são assuntos que estão presentes neste livro.

Mais uma vez gostei muito de ler algo desta autora. Contudo, o meu preferido continua a ser O Indesejado.

Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela editora Bizâncio em troca de uma opinião honesta.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Opinião | "Mataram a Cotovia", de Harper Lee


Título: Mataram a Cotovia
Autor(a): Harper Lee
Editora: Relógio D'Água
N.º de Páginas: 337 páginas
Edição: 2012
Prémios: Prémio Pulitzer Ficção - 1961
Classificação: 3,5 estrelas



Sinopse:
Durante os anos da Depressão, Atticus Finch, um advogado viúvo de Maycomb, uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos, recebe a dura tarefa de defender um homem negro injustamente acusado de violar uma jovem branca. Através do olhar curioso e rebelde de uma criança, Harper Lee descreve-nos o dia-a-dia de uma comunidade conservadora onde o preconceito e o racismo caracterizam as relações humanas, revelando-nos, ao mesmo tempo, o processo de crescimento, aprendizagem e descoberta do mundo típicos da infância. Recentemente, alguns dos mais importantes livreiros norte-americanos atribuíram grande destaque ao livro, ao elegerem-no como o melhor romance do século XX.


Opinião:
Depois de ler o Vai e Põe a Sentinela, de Harper Lee (sim, li este primeiro) percebi que queria conhecer melhor toda esta história e as personagens, que me cativaram desde o início. 

Contudo, demorei a iniciar este livro pois a opinião de uma pessoa em quem confio não foi brilhante. Arrisquei na mesma. Tinha mesmo de o ler. 

Gostei bastante de toda o ambiente criado pela autora: as personagens e as suas ligações, a forma como tratou o tema do racismo. Nunca esquecendo que o livro foi escrita nos anos 60, numa sociedade um tanto ao quanto diferente do que é hoje (sim, eu sei, isso é discutível).

Um clássico que vale a pena ler.

Boas leituras.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Opinião | "A Biblioteca", de Zoran Živković


Título: A Biblioteca
Autor(a): Zoran 
Editora: Cavalo de Ferro
N.º de Páginas: 101 páginas
Edição: 2010
Prémios: World Fantasy Award for Best Novella - 2003
Classificação: 4 estrelas



Sinopse:
Livro vencedor do prestigiado World Fantasy Award, «A biblioteca» reúne seis histórias fantásticas ligadas à bibliofilia, fazendo-nos pensar em Jorge Luis Borges e na sua biblioteca infinita, mas também no universo de Kafka ou de Umberto Eco. No conto de abertura, um escritor descobre um site onde todos os seus livros, inclusive os que ainda não escreveu, se podem consultar; num outro, uma comum biblioteca transforma-se durante a noite num arquivo de almas; noutro, ainda, o Diabo decide estabelecer os níveis da literacia infernal...


Opinião:
"Outro deste autor?" dirão os seguidores habituais do blog. Sim, outro. Eu avisei que queria ler todos os livros deste autor e estou a conseguir.

Contudo, este era o que menos me convidava à sua leitura, pois não morro de amores por contos. Quem me segue sabe que não um tipo de leitura habitual por aqui. Sim, gostava de mudar isso, mas os contos não me fascinam tanto quanto os romances. Quero sempre mais. Mas sendo deste autor que se tornou num dos meus preferidos dei-lhe uma oportunidade.

Um livro pequeno, com seis contos sobre bibliotecas. É certo que uns tocaram-me mais do que outros, mas o talento deste senhor para contar e escrever  histórias é inigualável. Criativo, intrigante, misterioso, mas com muita classe.

Mas queria mais...muito mais!

Leiam!

Boas leituras. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Opinião | "A Livraria dos Finais Felizes", de Katarina Bivald


Título: A Livraria dos Finais Felizes
Autor(a): Katarina Bivald
Editora: Suma de Letras
N.º de Páginas: 495 páginas
Edição: 2016
Classificação: 3 estrelas




Sinopse:
Se a vida fosse um romance, o da Sara certamente não seria um livro de aventuras. Em vinte e oito anos nunca saiu da Suécia e nenhum encontro do destino desarrumou a sua existência. Tímida e insegura, só se sente à vontade na companhia de um bom livro e os seus melhores amigos são as personagens criadas pela imaginação dos escritores, que a fazem viver sonhos, viagens e paixões. Mas tudo muda no dia em que recebe uma carta de uma pequena cidade perdida no meio do Iowa e com um nome estranho: Broken Wheel. A remetente é uma tal Amy, uma americana de 65 anos que lhe envia um livro. E assim começa entre as duas uma correspondência afetuosa e sincera. Depois de uma intensa troca de cartas e livros, Sara consegue juntar o dinheiro para atravessar o oceano e encontrar a sua querida amiga. No entanto, Amy não está à sua espera, o seu final, infelizmente, veio mais cedo do que o esperado. E enquanto os excêntricos habitantes, de quem Amy tanto lhe tinha falado, tomam conta da assustada turista (a primeira na história de Broken Wheel), Sara decide retribuir a bondade iniciando-os no prazer da leitura. Porque rapidamente percebe que Broken Wheel precisa de um pouco de aventura, uma dose de auto-ajuda e, talvez, um pouco de romance. Em suma, esta é uma cidade que precisa de uma livraria. E Sara, que sempre preferiu os livros às pessoas, naquela aldeia de poucas gente, mas de grande coração, encontrará amizade, amor e emoções para viver. E finalmente será a verdadeira protagonista da sua vida.


Opinião:
Tinha todos os motivos do mundo para ler este livro: boas opiniões; um livro sobre livros e livrarias. Para mim é suficiente para adicionar à minha wishlistE numa das minhas idas à biblioteca lá estava à minha espera. Veio comigo para casa entre muitos outros. 

Perdoem-me todos aqueles para quem este livro é sagrado, cada um terá a sua opinião, mas...esperava mais. Gostei essencialmente da primeira parte. Achei a história bonita, interessante. Mas a segunda parte já foi uma leitura morosa. Achei que tinha páginas a mais para o conteúdo, para a história que a autora queria contar. Para além de que preferia que a história tivesse tornado outro rumo.

Ainda assim não posso dizer que foi uma má leitura. É sim uma história doce, com uma premissa interessante. Mas...esperava mais! Queria que me deslumbrasse. Coisa que não aconteceu. No entanto, recomendo a todos os que gostam de ler sobre livros. 

Boas leituras.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Opinião | "Quanto tempo faltará para o abismo?", de Mário Cordeiro


Título: Quanto tempo faltará para o abismo?
Autor(a): Mário Cordeiro
Editora: Saída de Emergência
N.º de Páginas: 208 páginas
Edição: 2016
Classificação: 4 estrelas




Sinopse:
Um casal com dois filhos decide mudar de vida e ir viver para uma aldeia, numa pequena quinta. Ele é poeta e crítico literário, ela é pintora. Durante um dia nas suas vidas, uma sucessão de eventos desperta memórias profundas. Confrontado com uma leucemia em remissão, a morte entra e sai em diálogo constante.
Mas é o saber rural milenar transmitido pelas pessoas da aldeia que contamina o ambiente e influencia o casal com as suas visões do mundo num país em pleno processo pós-revolucionário e a dar os primeiros passos na democracia. O que lhes reserva o futuro?
Quanto tempo ainda lhes resta de felicidade num mundo em constante mudança?
 



Opinião:
Quanto tempo faltará para o abismo? é o romance de estreia do Pediatra Mário Cordeiro. Já há muito tempo que leio livros deste autor, embora técnicos e relacionados com a sua especialidade. Logo, quando este livro foi editado quis de imediato ler. Gosto da maneira como escreve, como expõe problemas e soluções e como aborda questões delicadas. Desta forma, fiquei muito curiosa com este seu primeiro romance.

Não desiludiu. Uma excelente narrativa, escrita muito fluída e bonita. Este livro fez-me reflectir sobre a morte e como a aceitamos. Como falar com os nossos filhos? Que alguém de que gostam está a morrer? Temas difíceis que o autor aborda de uma forma simples, prática e bonita.

Este livro tem a dose certa de tudo o que o livro deve ter. O equilíbrio perfeito entre o que podia ser demais e o que podia ser de menos. Um livro para ser bom não precisa de ser grande em tamanho, mas sim grande na sua escrita e na sua acção.

Recomendo.


Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Saída de Emergência em troca de uma opinião honesta.


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Opinião | "Antes de Adormecer", S. J. Watson

Título: Antes de Adormecer
Autor(a): S. J. Watson
Editora: Civilização
N.º de Páginas: 344 páginas
Edição: 2011
Prémios literários: Macavity Award Nominee for Best First Mystery Novel (2012), Anthony Award Nominee for Best First Novel (2012), The Crime Writers' Association New Blood Dagger (2011), CWA Ian Fleming Steel Dagger Nominee (2011), Galaxy National Book Award for Crime & Thriller of the Year (2011)


Classificação Goodreads: 3,5 estrelas

Sinopse:
«Durante o sono, a minha mente apagará tudo o que fiz hoje. Amanhã acordarei como acordei hoje de manhã. A pensar que ainda sou uma criança. A pensar que tenho toda uma vida de escolhas pela frente…»

As memórias definem-nos. O que acontece se perdemos as nossas memórias cada vez que adormecermos? O nosso nome, a nossa identidade, o nosso passado, até mesmo as pessoas de quem gostamos - tudo perdido numa noite. E a única pessoa em quem confiamos poderá estar a contar-nos apenas metade da história. Bem-vindos à vida de Christine.



Opinião:
Li este livro com alguma expectativa, mas também algum receio. As opiniões sobre este livro não eram nada consensuais. Ora opiniões positivas, ora opiniões negativas. Isto fez com que adiasse leitura deste livro durante algum tempo.

O meu gosto por thrillers tem crescido ao longo dos tempos e isso fez com que iniciasse a leitura deste livro. A premissa era interessante, muitos prémios literários e muitas críticas positivas. Tinha tido para gostar. 


Mais uma vez achei muito mito falatório para aquilo que prometia. Tem realmente uma premissa interessante, mas desde o início que sentimos o desfecho do livro. Não só por alguns clichés apresentados, mas pelo próprio autor que podia ter utilizado um discurso mais misterioso. 

Contudo, conseguiu manter-me interessada até ao final. O que é verdade, o que é mentira, a intuição são assuntos abordados neste livro. É verdade que tem algumas falhas, na minha opinião não é um thriller brilhante, mas serve o objectivo.

Como já disse, esta é apenas a minha opinião. Se gostarem deste tipo de leituras leiam, porque apesar de tudo foram momentos bem passados. 

Boas leituras.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Opinião | "Vozes de Chernobyl", de Svetlana Alexievich


Título: Vozes de Chernobyl
Autor(a): Svetlana Alexievich
Editora: Elsinore
N.º de Páginas: 328 páginas
Edição: 2016
Prémios literários: National Book Critic Circle Award for General Nonfiction - 2005
Classificação Goodreads: 5 estrelas



Sinopse:
A 26 de abril de 1986, Chernobyl foi palco do pior desastre nuclear de sempre. As autoridades soviéticas esconderam a gravidade dos factos da população e da comunidade internacional, e tentaram controlar os danos enviando milhares de homens mal equipados e impreparados para o vórtice radioativo em que se transformara a região. O acidente acabou por contaminar quase três quartos da Europa.
Numa prosa pungente e desarmante, Svetlana Alexievich dá voz a centenas de pessoas que viveram a tragédia: desde cidadãos comuns, bombeiros e médicos, que sentiram na pele as violentas consequências do desastre, até as forças do regime soviético que tentaram esconder o ocorrido. Os testemunhos, resultantes de mais de 500 entrevistas realizadas pela autora, são apresentados através de monólogos tecidos entre si com notável sensibilidade, apesar da disparidade e dos fortes contrastes que separam estas vozes.
 



Opinião:
Quem me segue aqui no blog já sabe o meu gosto por leituras de histórias de vida e de livros de não-ficção. 

Este livro é a compilação de várias entrevistas que a autor realizou com sobreviventes e familiares de sobreviventes do desastre de Chernobyl. Pessoas marcadas pela dor, pela brutalidade do acontecimento, pelo sofrimento.

A autora apresenta estes testemunhos em forma de monólogos, dando voz e espaço para aqueles que realmente merecem ser ouvidos. Testemunhos marcantes que não deixarão ninguém indiferente.

No início do livro é realçada a questão de uma jornalista com um trabalho significativo neste área ter ganho o prémio nobel da literatura. Acho cada vez mais importante abranger todos os tipos de literatura para este reconhecimento.

Há histórias e vidas que devem ser conhecidas. Há livros que merecem ser lidos. Este é um deles.

Recomendo.