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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Opinião | "A Contadora de Histórias", de Jodi Picoult



Nome: A Contadora de Histórias
Autor(a): Jodi Picoult
Editora: Bertrand
Edição: 2015
N.º Páginas: 528 páginas




Sinopse:

Sage Singer é padeira de profissão. Trabalha de noite, a preparar o pão e os bolos para o dia seguinte, tentando fugir a uma realidade de solidão, a más memórias e à sombra da morte da mãe. Quando Josef Weber, um velhote que faz parte do grupo de apoio de Sage, começa a passar pela padaria, os dois forjam uma amizade improvável. Apesar das diferenças, veem um no outro as cicatrizes que mais ninguém consegue ver.

Tudo muda no dia em que Josef confessa um segredo vergonhoso há muito escondido e pede a Sage um favor extraordinário. Se ela disser que sim, irá enfrentar não só as repercussões morais do seu ato, como também potenciais repercussões legais. Agora que a integridade do amigo mais chegado que alguma vez teve está envolta numa névoa, Sage começa a questionar os seus pressupostos e as expectativas em torno da sua vida e da sua família. 



Opinião:
Jodi Picoult é, no momento, das minhas escritoras preferidas. Não só pelo tipo de histórias que aborda nos livros, mas também a forma como as conta e constrói. 

Descobri muito recentemente que este livro abordava o tema do Holocausto e decidi que seria uma das leituras para o projecto "Leituras do Holocausto" em Janeiro. Decidi ler este livro em último lugar pensando que seria o mais suave. Não foi bem assim.

É uma história sobre o amor, a amizade, mas sobretudo sobre o perdão. Até onde vai a nossa capacidade de perdoar. Todos temos o nosso passado. Todos temos um lado bom e um lado mau. A questão é qual dos lados alimentamos mais.

O que mais gosto nesta autora é que consegue criar um romance sem ser lamechas. Romantismo q.b. mas que ao mesmo tempo nos faz sonhar.

Esta história tem diálogos bons, pensamentos fantásticos e relatos impressionantes do Holocausto. Gostei da forma como a autora nos permite ver a perspectiva e a história de vida de cada personagem, narrada pela própria. Gosto cada vez mais deste tipo de estrutura, muito habitual nos livros da Jodi Picoult.


Classificação:
5/5 - Adorei


Nota: Esta leitura está incluída no Desafio Literário "Leituras do Holocausto"



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Balanço Mensal | Janeiro 2016 & Desafio Literário "Leituras do Holocausto"




Foi a primeira vez que organizei um desafio literário, quer para o grupo do Goodreads, quer aqui para o blog. Não podia estar mais satisfeita. Tivemos muitas participações, com leituras fantásticas. Descobrimos novos livros e partilhámos pensamentos, emoções e opiniões. 

Contudo, foi um mês duro. Não foi fácil carregar com todas estas histórias de horror. Cada livro era mais duro que o anterior. Cada relato torna-se mais duro de ler. Mas tinha de terminar o desafio a que me propus. Na esperança que estes acontecimentos sejam um exemplo daquilo que não pode voltar a acontecer. E sempre que terminava um livro não sabia o que pensar mais e como classificá-lo. Como é que se classifica um livro com todos estes horrores?! 

Foi um mês pesado...mas muito gratificante. Aprendi muito.

Quero agradecer a todos os participantes do projecto "Leituras do Holocausto", pois sem vocês não teria sido o mesmo. Para o ano há mais!


Leituras
Perguntem a Sarah Gross, de João Pinto Coelho
O Caderno do Avô Heinrich, de Conceição Dinis Tomé
Auschwitz - Um Dia de Cada Vez, de Esther Mucznik
O Cônsul Desobediente, de Sónia Louro
Se Isto é um Homem, de Primo Levi
A Contadora de Histórias, de Jodi Picoult (opinião em breve)
Baby Blues #1 | Isto vai ser pior do que pensávamos, de Rick Kirkman e Jerry Scott


Li 7 livros na totalidade, por isso continuo com um bom ritmo de leitura. Li um livro de BD para desanuviar de todas as leituras pesadas que li.
E consegui resistir a tentações e não comprei nenhum livro. Não poderia ter corrido melhor. Que venham mais assim!

Boas leituras.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Opinião | "Se Isto é um Homem", de Primo Levi



Nome: Se Isto é um Homem
Autor(a): Primo Levi
Editora: Teorema
Edição: 2010
N.º Páginas: 176 páginas



Sinopse:
Neste clássico da literatura contemporânea, Primo Levi dá um testemunho pungente de uma tragédia que afetou milhões de pessoas. Considerado o mais belo livro já escrito sobre a existência massacrada dos judeus deportados, É isto um homem? Não é, no entanto, um relato carregado de ódio e vingança. Desprovidos de saúde, os judeus nos campos de extermínio dificilmente poderiam ser identificados com os homens que eram antes da tragédia. Muito menos seus algozes sem rosto, senhores de escravos, mas sem vontade própria, num campo de morte onde ela, afinal, era o menor dos males. 



Opinião:
Há muito tempo que ouvia falar deste livro e da forma dura como abordava o holocausto. E quando decidi realizar o desafio literário "Leituras do Holocausto" decidi que esta era uma boa altura para ler este livro. 

Este foi dos livros mais duros que li para este projecto. A forma como o Primo Levi retrata a sua vivência no campo de concentração tem tanto de brilhante como de assustador e arrepiante. Gostei da forma como o autor transmitiu os seus sentimentos e pensamentos do que ia vivendo e sentindo. A realidade, nada fantasiada, pura e dura.

Todas aquelas descrições são aterradoras e causa-nos tristeza, por atrocidades como as que o autor descreve terem de facto acontecido. Questiona-nos o que era ser um ser humano naquela situação.

Está a ser um mês duro de assimilar, mas estou a gostar de conhecer melhor este protagonistas do holocausto.

Classificação:
5/5 - Adorei

Nota: Esta leitura está incluída no Desafio Literário "Leituras do Holocausto"

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Opinião | "O Cônsul Desobediente", de Sónia Louro



Nome: O Cônsul Desobediente
Autor(a): Sónia Louro
Editora: Saída de Emergência
Edição: 2009
N.º Páginas: 416 páginas




Sinopse:
A História de Aristides de Sousa Mendes. O homem que, para salvar 30.000 inocentes, desobedeceu a Salazar e foi perseguido. 
Há pessoas que passam no mundo como cometas brilhantes, e as suas existências nunca serão esquecidas. Aristides de Sousa Mendes foi uma dessas pessoas. Cônsul brilhante, marido feliz, pai orgulhoso, teve a sua vida destruída quando, para salvar 30.000 vidas, ousou desafiar as ordens de Salazar.
Cônsul em Bordéus durante a Segunda Guerra, é procurado por milhares de refugiados para quem um visto para Portugal é a única salvação. Sem ele, morrerão às mãos dos alemães. Infelizmente, Salazar, adivinhando as enchentes nos consulados portugueses, proibira a concessão de vistos a estrangeiros de nacionalidade indefinida e judeus. Sob os bombardeamentos alemães, espremido entre as ameaças de Salazar, as súplicas dos refugiados e sua consciência, Aristides sente-se enlouquecer. E então toma a grande decisão da sua vida: passar vistos a todos quantos os pedirem. Salvará 30.000 inocentes mas destruirá irremediavelmente a sua vida.



Opinião:
Quero, desde já, agradecer à minha amiga Tita do Prazer das Coisas por me ter emprestado este livro e a paciência por só agora o ter lido. Foi mais uma leitura para o projecto "Leituras do Holocausto".

Este é um livro que conta a história de vida de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português que ajudou a salvar milhares de judeus. 

Depois de ter visto filme "Aristides de Sousa Mendes - O Cônsul de Bordéus" fiquei mais interessada em ler este livro, para conhecer melhor quem foi Aristides e a sua história.

Gostei muita da escrita da autora - muito fluída - e forma como abordou esta história. Sempre muito bem documentada, com bastantes notas de rodapé. Seria de pensar que o excesso de notas de rodapé pudessem tornar a leitura deste livro aborrecida, mas não é essa a minha opinião. Elas são necessárias, não só para a história em si, como no contexto histórico geral.

Gostei muito como a autora construiu a sua personagem sem nunca descurar a sua verdadeira identidade. Os dilemas que Aristides enfrenta, a relação família-trabalho foram aspectos muito bem explorados neste livro.

Para quem quer ficar a conhecer melhor Aristides de Sousa Mendes é de facto uma boa leitura.


Classificação:
4/5 - Gostei Muito


Nota: Esta leitura está incluída no Desafio Literário "Leituras do Holocausto"


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Opinião | "Auschwitz - Um dia de cada vez", de Esther Mucznik



Nome: Auschwitz - Um dia de cada vez
Autor(a): Esther Mucznik
Editora: A Esfera dos Livros
Edição: 2015
N.º Páginas: 336 páginas




Sinopse:
«Um companheiro de Auschwitz pergunta a Primo Levi por que motivo já não se preocupa com a higiene. Ele responde simplesmente: "Para quê, se daqui a meia hora estarei de novo a trabalhar com sacos de carvão?" É desse companheiro que recebe a primeira e talvez principal lição de sobrevivência: "Lavarmo-nos é reagir, é não deixar que nos reduzam a animais; é lutar para viver, para poder contar, para testemunhar; é manter a última faculdade do ser humano: a faculdade de negar o nosso consentimento".» 
A capacidade de sobrevivência do ser humano é notável e, por mais terrível que fosse a existência em Auschwitz, todos os dias se lutava para sobreviver apesar de a morte estar ao virar de cada esquina. O campo de concentração de Auschwitz é sinónimo do mal absoluto preconizado pelo nazismo. Foi ali que judeus e ciganos serviram de cobaias às diabólicas experiências médicas, que acima de um milhão de seres humanos foram gaseados e que mais de 200 mil homens, mulheres e crianças morreram de fome, frio e doença, de exaustão e brutalidade, ou simplesmente de solidão e desesperança. No entanto muitos presos resistiam à total desumanização esforçando-se por manter alguma dignidade. Cuidar da higiene, ler, escrever, desenhar, ajudar alguém a sobreviver ou até a morrer eram actos que atribuíam condição humana a quem parecia ter desistido de viver. Esther Mucznik, autora dos livros Grácia Nasi e Portugueses no Holocausto, dá-nos a conhecer o dia-a-dia de Auschwitz através das vozes daqueles que ali acabaram por perecer e dos seus carrascos, do insuportável silêncio das crianças massacradas, das mulheres e homens violentados em bárbaras experiências médicas, mas também através dos relatos daqueles que sobreviveram para contar e manter viva a memória do horror da máquina de morte nazi. Para que ninguém possa alguma vez esquecer.





Opinião:
Um dia de cada vez. Era como se vivia (ou sobrevivia) em Auschwitz. A autora apresenta-nos testemunhos impressionantes de sobreviventes e familiares de pessoas que passaram por todo este horror. 

É um livro de não-ficção com incríveis factos históricos. Um livro muito bem documentando, onde muitas das vezes os textos são acompanhados por fotos que ajuda o leitor a "interiorizar" tudo o que está a ler. 

Este é um livro duro...muito duro de se ler. Mas necessário! Cheguei ao final desta leitura triste e assoberbada por tudo aquilo que acabava de ler. São relatos duros de ler, mas não os podemos esquecer, para que nunca se voltem e repetir atrocidades como estas.


Classificação:
4/5 - Gostei muito


Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora A Esfera dos Livros em troca de uma opinião honesta.




Nota: Esta leitura está incluída no Desafio Literário "Leituras do Holocausto"



segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Opinião - Livros Infantis & Juvenis | "O Caderno do Avô Heinrich", de Conceição Dinis Tomé



Nome: O Caderno do Avô Heinrich
Autor(a): Conceição Dinis Tomé
Editora: Editorial Presença
Colecção: Estrela do Mar
Edição/reimpressão: 2013
N.º Páginas: 88 páginas




Sinopse: 
Heinrich e Jósef conheceram-se na Polónia. Heinrich tinha chegado há pouco tempo da Alemanha, porque o pai não queria que o filho crescesse num país onde então dominavam o ódio, o preconceito, o abuso do poder e todas as formas de fanatismo. Naquele tempo, o homem que tinha subido ao poder resolveu dominar o mundo e perseguir todos aqueles que considerava serem de raças inferiores como os judeus ou os ciganos, e também todas as pessoas que lhe opusessem resistência. Esse homem chamava-se Adolf Hitler. Esta história, escrita com grande sensibilidade, conta-nos como Heinrich, e o seu amigo judeu, Jósef, apesar de tudo o que sofreram, conseguiram manter uma amizade que ficou para a vida. A autora mostra-nos ainda como o amor pelos livros e pela leitura, e a capacidade humana de criar beleza são importantes para promover a paz entre os povos.

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 6º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada.



Opinião:
Descobri a existência deste livro numa conferência em que participei sobre o Plano Nacional de Leitura, em que a autora esteve presente para partilhar a sua experiência alguns projectos em que estava a trabalhar. 

Fiquei logo interessada e sabia exactamente que o ia ler. Era um livro totalmente adequado a este projecto. 


Um livro pequeno, com uma grande mensagem. Uma amizade entre duas crianças que viveram e cresceram mundo de guerra, horrores e de desumanização. Heinriche e Jósef transmitem-nos diferentes perspectivas do holocausto e da guerra (também ela interior) em que viveram. 

Um livro muito bonito, simples mas muito real contado para crianças e jovens sobre o Holocausto.

Recomendo.



Classificação:
4/5 - Gostei muito


Nota: Esta leitura está incluída no Desafio Literário "Leituras do Holocausto"




terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Opinião | "Perguntem a Sarah Gross", de João Pinto Coelho


Nome: Perguntem a Sarah Gross
Autor(a): João Pinto Coelho
Editora: D. Quixote
N.º Páginas: 443 páginas
Ano de Edição: 2015





Sinopse: Em 1968, Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, atravessa os Estados Unidos para ir ensinar no colégio mais elitista da Nova Inglaterra, dirigido por uma mulher carismática e misteriosa chamada Sarah Gross. Foge de um segredo terrível e procura em St. Oswald’s a paz possível com a companhia da exuberante Miranda, o encanto e a sensibilidade de Clement e sobretudo a cumplicidade de Sarah. Mas a verdade persegue Kimberly até ali e, no dia em que toma a decisão que a poderia salvar, uma tragédia abala inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas a um passado avassalador.


Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de Cracóvia; à sombra dos choupos de Birkenau ou pelas ruas de Auschwitz quando ainda era uma cidade feliz, Kimberly mergulha numa história brutal de dor e sobrevivência para a qual ninguém a preparou.



Rigoroso, imaginativo e profundamente cinematográfico, com diálogos magistrais e personagens inesquecíveis, Perguntem a Sarah Gross é um romance trepidante que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História. A obra foi finalista do prémio LeYa em 2014.



Opinião:

Decidi que tinha de ler este livro quando ouvi o autor a falar dele num encontro sobre Resiliência Familiar. É certo que neste encontro ouvi mais do que queria, pois quando leio gosto de ser surpreendida. Mas gostei tanto da forma como o autor falou da sua obra, da sua experiência enquanto investigava para escrever este livro que não tive dúvidas que seria uma leitura que faria muito em breve. 

Desta forma, iniciei o projecto "Leituras do Holocausto" com a leitura deste livro, com a esperança fosse um bom começo de projecto. E não desiludiu. 

É certo que já tinha algumas informações na minha cabeça relativamente à história, contudo fui totalmente surpreendida em muitos momentos desta leitura. Personagens marcantes, que nos surpreendem ao longo da narrativa. Uma escrita sublime e real, sem grandes floreados artísticos que nos transporta para outro mundo. 

A dureza da história é arrepiante. Uma história passada na altura do Holocausto nunca pode ser "bonita e perfeita". Mas é uma história que nos agarra precisamente por ser real e, principalmente, muito bem contada.

Um romance brilhante, na minha opinião, em que aprendemos muito e nos emocionamos ainda mais.

Recomendo.


Nota: Esta leitura está incluída no Desafio Literário "Leituras do Holocausto"




Classificação:
5/5 - Adorei