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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Opinião | "As Sombras de Leonardo Da Vinci",de Christian Gálvez


Não é muito habitual ler romances históricos, mas estou a mudar. Todos mudamos. Enquanto leitores, enquanto pessoas. 

Este livro veio parar-me às mãos de surpresa pela editora Clube do Autor. Fiquei muito feliz, pois Leonardo Da Vinci é uma figura especial para mim. Eu explico porquê. Há alguns anos atrás trabalhei numa exposição sobre a sua obra. Durante meses. Logo, fiquei a conhecer muito bem este génio. Daí cresceu o meu fascínio por esta figura história. 

Ler este livro foi muito bom. Recordei a sua vida e as suas ideias geniais. O que é notável é o  fantástico e rigoroso trabalho de investigação por parte do autor. Um dos pontos que mais dou valor quando se trata de livros históricos baseados em pessoas ou factos verídicos. 

Um bom livro para quem gosta de Leonardo Da Vinci e de romances deste género.

Aconselho.


Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Clube do Autor em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  


quinta-feira, 26 de abril de 2018

Opinião | "Sem Rede", de Margarida Fonseca Santos



Tenho uma falha grave no meu repertório literário: leio poucos autores nacionais. É verdade e há que admiti-lo. No entanto, leio muitos livros infanto-juvenis. Foi através deles que me iniciei na leitura. E apesar da minha já avançada idade (no alto dos meus 35 anos) continuo a gostar de os ler e, sobretudo, de os partilhar convosco. 

Como disse aqui conheci a Margarida Fonseca Santos num workshop sobre palavras e como as usamos. Gostei muito da sua simplicidade, simpatia e talento. Claro, que tinha que ler um livro da autora. Na altura li um livro generalista, no entanto sabia que a autora já tinha escrito livros para os mais novos, mas nunca me tinha debruçado muito sobre eles (tanto para ler!!!).

Quando percebi da existência desta colecção "A Escolha é Minha" que a autora lançou sobre temas muito pertinentes para os jovens quis muito conhecer esta sua vertente. Comecei por este: Sem Rede, da chancela Fábula, da editora 2020

Não posso de deixar de iniciar esta minha opinião falando da magnífica capa deste livro. Esta edição está muito bem conseguida. Apelativa, bonita, simples e coerente com a história. Por isso dou os meus parabéns à editora.

Este é um livro inspirado nos incêndios que assolaram o nosso país o ano passado. A história é contada a partir de duas perspectivas: da Bárbara e do Ricardo. Estes dois jovens fazem parte da mesma turma. Vão passar o fim-de-semana fora, em grupos separados, sem telemóveis e redes sociais. Ora, para qualquer jovem é um verdadeiro filme de terror. E mais não conto. Não é necessário.

Esta é uma história que fala de amor, entreajuda, respeito e esperança. Uma linguagem acessível e perfeita para os jovens. É uma história simples, mas muito bonita. Aconselho a todos (independentemente da idade) a lerem. 

Boas leituras. 


Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela Editora Fábula, chancela da Editora 2020 em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Opinião | "Fast Food, Fast Life, Fast Cancer - Uma Vida Sem Cancro"




Gosto de não-ficção. Quem me segue está "farto" de saber isso. É um género de livros que leio desde sempre e cada vez mais. Os temas vão variando. Mas ultimamente estou interessada em saúde e nutrição. Estou a mudar o meu estilo de vida e ler sobre o assunto ajuda. 

A autora Cátia Antunes já tinha lançado um livro sobre esta temática, também pela mesma editora. Fiquei de olho nele, mas na altura não se proporcionou. Quando vi este livro pensei que era a altura ideal para ler este livro. 

Defendo um estilo de vida saudável, no entanto não sou fundamentalista. Quero ser mais saudável, mas não apenas agora, mas perpetuar esse hábito para a vida. E não sabendo muito sobre o assunto tenho que ler e muito. 

Posso dizer que este livro está dividido em duas partes. Uma primeira parte mais teórica, onde a autora fala dos alimentos e os seus nutrientes. Partilha dicas e sugestões. Uma parte mais "científica" por assim dizer. Mas com uma linguagem acessível e nada aborrecida que nos faz ter a noção dos alimentos que comemos ou não comemos e do nosso estilo de vida. A segunda parte são receitas que a autora partilha para uma vida mais saudável. Confesso, que nesta parte não me identifiquei tanto. Tem algumas receitas com alimentos que não gosto muito e alguns até difíceis de encontrar. Por isso ainda não ter feito nenhuma e ainda não ter partilhado. 

A autora é adepta do estilo vegano e vegetariano e o mais natural possível. Ora, nem sempre consigo fazer isso, pois é difícil a nível familiar. Sim, eu sei! Mudanças são sempre difíceis. Ainda mais com uma criança de 4 anos. Mas é um processo. Faz parte. Em breve falarei melhor sobre este livro num vídeo que irei fazer. Para já fica aqui esta minha opinião.

Se gostam do tema não deixem de ler. E não se enganem: eu gostei de ler o livro. Toda a parte teórica foi um "abre olhos" no modo como consumos os alimentos e isso mudei. Estou a seguir os conselhos da autora. Só não partilhamos do gosto pelos mesmos alimentos. Apenas isso. 

Aconselho o livro a todos. E boas leituras. 


Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Saída de Emergência em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  






terça-feira, 3 de abril de 2018

Opinião | "Simplificar", de Brooke Mcalary



Este é um livro simples. Não há outra forma de o descrever. A sua essência é a simplicidade e a descomplicação. 

Vivemos numa época muito agitada. Sempre a correr. Para ir trabalhar, para ir buscar os filhos à escola, para ir às compras no fim de um dia de trabalho...E por isso mesmo a autora Brooke Mcalary criou este blogue no sentido de partilhar as suas estratégias para uma vida mais calma e simples. E nesse sentido surgiu este livro Simplificar

É um livro pequeno, muito bonito que dá para transportar na nossa mala e inspirarmo-nos e lermos durante o dia. Linguagem simples e acessível que chega a todos. A autora apresenta, ainda, exercícios simples que poderá praticar no sentido de tornar a sua vida mais pacífica.

É certo que hoje em dia é um assunto muito discutido e, para muitos, poderá não acrescentar nada de novos. Mas numa época agitada nunca é demais ler sobre o assunto.

Boas leituras. 


Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Clube do Autor em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  


quinta-feira, 29 de março de 2018

Opinião | "A Arte da Guerra", de Sun Tzu


Não sou muito de clássicos, é verdade. No entanto, tenho tentado mudar isso ao longo da minha vida de leitora. Este é um clássico muito antigo. Provavelmente muito conhecido entre a maioria dos leitores. Mas, como já vai sendo habitual, ainda não o tinha lido. E graças à editora Guerra & Paz tive agora a oportunidade de o ler. 

Já sabia ao que ia. Não fui iludida. Este é um livro de estratégia militar, escrito por Sun Tzu. Mas é também um livro muito filosófico, pois aquilo que encontramos nestas páginas podem ser aplicadas não só a nível militar, mas na nossa vida pessoal e empresarial. 

Sei que provavelmente não agradará a todos os leitores, pois pode tornar-se aborrecido ou demasiado técnico. Mas considero importante a leitura deste clássico em algum momento da nossa vida. 

Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Guerra & Paz Editores em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Opinião | "O Esplendor do Mundo", de Gonçalo Cadilhe




Gosto de viajar. Mas não nasceu comigo. Aprendi a gostar de viajar. E depois fica o vício. Querer conhecer outros lugares, novas culturas, já para não falar da gastronomia que é sempre a minha perdição.

Como tal, não sei ainda não tinha lido nenhum livro do Gonçalo Cadilhe. Era mais um daqueles que ficava apenas a intenção de ler e ia ficando para o lado. No entanto, graças à Clube do Autor, isso mudou.

Não se trata de um guia de viagem. É um registo pessoal do autor dos locais por onde viajou. Todo o livro é ilustrado com fotos tiradas pelo próprio. Este livro pretende despertar a curiosidade do leitor viajante. De querer conhecer este mundo que tem lugares lindos que desconhecemos. Fala de locais que já conhecia, outros que não conhecia, uns que quero ir e outros que, provavelmente, nunca irei conhecer.

Ler é viajar sem sair do lugar. Este livro é a prova disso.

Vamos viajar? E boas leituras.







Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Clube do Autor em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Opinião | "Deixa-me Odiar-te", de Anna Premoli



Quem se segue sabe que, por norma, este não é o meu género habitual de leitura. Mas em tão boa hora este livro chegou-me às mãos. 

É sim uma história de amor (ou não), mas muito divertida. Sim, tem alguns clichés. Mas estava tanto a precisar deles. Tinha vindo de uma série de leituras medianas e sem graça que ler este livro foi uma lufada de ar fresco. A escrita é divertida, sem ser forçada e muito envolvente. 

Não o largava. Li-o em dois dias, pois eventualmente tive que ir comer, dormir, trabalhar...o costume. E isso para mim é um bom livro. Que nos prende do início ao fim. Não queremos que o dia  acabe ou que, por milagre, o dia tenha mais horas para o podermos terminar. 

Muito obrigada à Clube do Autor por esta surpresa. Este livro vale quase 5 *. Mas são 4* bem gordinhas. 

Leiam este livro!!!



Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Clube do Autor em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Opinião | "Marcada para Morrer", de Peter James



Depois de lido Quero-te Morta, do autor Peter James o passo a seguir seria ler este próximo livro Marcada para Morrer. Não só porque faz parte de uma série (# Roy Grace), mas pelo seu género e a escrita do autor.

Estou a gostar de thrillers. Uma das coisas positivas que esta comunidade blogger e booktuber me trouxe foi descobrir novos géneros e autores.

No entanto, este livro não me cativou tanto quanto o anterior. A escrita do autor é excelente. Cativa e nada aborrecida. Tem ritmo. Mas este livro centrou-se pouco no rapto da protagonista e mais em pormenores técnicos da investigação. 

No entanto, posso dizer que foi uma boa leitura. Gostei, novamente, de acompanhar o percurso e a história do detective Roy Grace. Apesar disso, vou continuar a ler o autor, pois é um bom autor neste géneros de livros.

Boas leituras.



Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Clube do Autor em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  



quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Opinião | "Sonata em Auschwitz", de Luize Valente



Quando soube que a autora Luize Valente iria lançar um novo livro em Portugal sobre o Holocausto decidi logo que o iria ler. Não só pela temática, que como sabem, me agrada. Mas por já ter lido Uma Praça em Antuérpia e ter adorado. 

A todos os amantes de leituras sobre a temática, leiam este livro. Por todas as razões e mais alguma. História muito bem escrita, com uma linguagem acessível, que flui naturalmente. Um enredo que nos prende desde o início, em que vai "saltando" entre o passado e o presente. Com dados e factos históricos muito reais e descritos de uma forma quase cinematográfica.

Uma leitura recomendada.

Podem, também, ver a opinião em vídeo no canal de YouTube.



Boas leituras.

Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Saída de Emergência em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Opinião | "O Planeta Branco", de Miguel Sousa Tavares




Este livro apareceu-me de surpresa em casa. Livro que o meu filho pressentiu que era para ele e o agarrou para não mais largar. Li-o numa tarde. Fiquei de coração cheio.

Esta é a história de três astronautas: a Lydia, O Gaspar e o Lucas. Estão numa missão de salvamento, em busca de água, em direcção ao planeta Horizon. Algures no caminho a sua rota altera-se e vão parar ao Planeta Branco. Não vou explicar o que é o Planeta Branco. A beleza está em descobrir a história. Cada um terá uma diferente percepção. Esta é a beleza da leitura.




Um livro que fala sobre a morte, o que poderá estar para além desta, o que existe para lá do nosso sistema solar, as alterações climáticas...temas por vezes difíceis de trabalhar com os jovens. Um livro que é uma homenagem à vida, que deveria ser leitura obrigatória não só para miúdos, mas também para graúdos.

Como complemento são as ilustrações de Rui Sousa que dão outra forma e cor à história. Muito obrigada à Clube do Autor por este fantástico livro.



Boas leituras.




Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Clube do Autor em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  




terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Opinião | "As Falsas Memórias de Manoel Luz", de Marlene Ferraz





Este é um livro sobre flores e livros. A capa não engana. Capa essa que está muito bem conseguida. Uma edição bonita, cuidada. Nós, amantes de livros e da leitura gostamos de livros bonitos. E isso é algo que esta editora já nos vai habituando. 

Marlene Ferraz tem um estilo de escrita muito peculiar. Ao longo da narrativa acompanhamos a vida de Manoel Luz, filho de um floreiro, depressa vê a sua vida rodeado de livros. Um livro que prometia tanto pela sua edição, como pela história.

Não somos feitos para todos os livros e nem todos os livros são feitos para nós. Algo na história não me cativou quanto gostaria. Estou certa que será um livro que agradará a muitos. Com uma escrita quase poética.  

No entanto, não deixem de ler este livro. Uma história de livros e flores não se pode, nem deve, recusar.

Boas leituras.


Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Editora Minotauro em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Opinião | "Quem conta um conto acrescenta um ponto - Atividades de leitura recreativa e de escrita criativa", de Ana Viegas


Título: Quem conta um conto acrescenta um ponto - Atividades de leitura recreativa e de escrita criativa"Autor(a): Ana Viegas
Editora: Lidel
Temática/Género: Ensino e Educação/Ensino de Português no Estrangeiro
N.º de Páginas: 140 páginas
Edição: 2017


Sinopse:
Quem Conta um Conto Acrescenta um Ponto é o primeiro de três complementos lúdico-didáticos que, a partir de textos da literatura oral portuguesa fixados em escrita, promovem atividades de leitura recreativa e de escrita criativa. Destina-se a um público jovem e adulto e tem como objetivo desenvolver as competências co-municativas em língua (linguísticas, sociolinguísticas e pragmáticas).

Encontra-se organizado em três partes: 
- A Parte I explora os conceitos de literatura oral, conto popular português, leitura recreativa e escrita criativa; 
- A Parte II compreende 20 oficinas de leitura recreativa e de escrita criativa com base em 20 contos populares portugueses, repartidas pelos níveis B1 e B2 do QECR e do Qua-REPE, com grau de dificuldade crescente, abrangendo, geralmente, atividades de pré-leitura, leitura, pós-leitura, planificação, textualização e revisão; 
- A Parte III contém um dicionário de criação pessoal a ser preenchido com a definição em contexto da palavra adquirida, um sinóni-mo e um antónimo.

Quem Conta um Conto Acrescenta um Ponto segue uma abordagem comunicativa e orientada para a ação, o que implica uma participação ativa quer do ensinante quer do aprendente, podendo ser utilizado tanto em contexto de aprendizagem formal, mediado pelo professor, como de aprendizagem não formal, autonomamente.

As soluções das atividades encontram-se no final do livro.



Opinião:
Recebi a informação deste livro com uma enorme surpresa. Porquê? Porque conheço a autora e desconhecia este seu projeto. No entanto, fiquei muito feliz por esta conquista. E sendo este um livro sobre a promoção da leitura é um pouco óbvio (para mim) que teria que o ler.

Este é um livro técnico sobre a promoção da leitura e escrita criativa para o ensino da língua portuguesa como língua estrangeira. A autora é formada em línguas e tem experiência como docente da língua portuguesa para estrangeiros. Como docente, sempre sentiu a necessidade de algumas actividade lúdicas que complementasse a sua função. Logo, este livro é dirigido a docentes da língua portuguesa para estrangeiros.

Todas as propostas apresentadas são baseadas em contos populares de Teófilo Braga, Adolfo Coelho e Consiglieri Pedroso. Facto que achei bastante interessante. Em todas as actividades a autora indica a duração da mesma, bem como algumas dicas práticas para os alunos e professores. 

A autora utiliza uma linguagem bastante acessível e aborda o leitor na primeira pessoa, de forma a estabelecer uma proximidade com o mesmo. Achei as actividades acessíveis, interessantes e criativas. Gostei bastante da abordagem da autora. Fiquei bastante interessada e motivada para conhecer a obra literária destes autores. 

Recomendo apenas a interessados por este assunto.

Boas leituras.

Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Editora Lidel em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Conversas de Mil Histórias | Marlene Ferraz



Hoje trago-vos uma entrevista a Marlene Ferraz, autora do romance As Falsas Memórias de Manoel Luz, da editora Minotauro

                                   

Curiosos para conhecer um pouco mais desta autora? Então fiquem por aí.

Jardim de Mil Histórias: Como surgiu o seu gosto pela escrita?

Marlene Ferraz: «Depois do espanto pela leitura. Seria uma criança muito metida em contemplações, incomodada com o sofrimento evitável nos homens e nos bichos: ficava exageradamente comovida quando me confrontava com um pássaro ferido por um chumbo, uma borboleta com as asas gastas pela curiosidade das crianças ou um cão tão magro que poderia contar-se os ossos. E toda a violência entre homens e homens. Os livros, companheiros de horas intermináveis, resgatavam-me para outras realidades, também duras, improváveis, mas carregadas de ilusão e esperança. Como um escafandro. Ou um outro compartimento de oxigénio. Conviver com o sofrimento pede uma carga suficiente de ilusão.»

J. M. H.: A Marlene é formada em Psicologia. Como isso influencia a sua escrita?
M. F.: «O ofício da Psicologia obriga ao exercício de nos descentrarmos o mais possível da criatura que somos para nos focarmos no outro: há um desprendimento dos nossos posicionamentos (leia-se enviesamento) e uma aceitação incondicional da pessoa que temos diante. A vulnerabilidade acaba por ser a matéria de apreciação e produção: receber, com a maior transparência, as fragilidades do outro e ensaiar novas formas de ver a realidade que incomoda, como se tivéssemos em mãos um caleidoscópio. É provável que esta proximidade com o sofrimento e a renovação, neste processo infinito de redenção, esteja nas entrelinhas das (minhas) narrativas.»

J. M. H.: Já recebeu diversos prémios literários. Como reagiu a este reconhecimento?
M. F.: «Os prémios literários acabam por ampliar a coragem que precisamos para publicar: num mercado livreiro tão intimidante, em que um número infinito de livros chegam continuamente às livrarias, com listas dos mais vendidos e etiquetas de prémios internacionais, mais todos os livros espantosos doutros tempos, só com uma dose mínima de loucura (e coragem) para nos entregarmos a um desafio tão privado mas também comercial. É uma realidade paradoxal. Lembro-me de ser mais menina e ouvir um editor de maior grandeza dizer, numa conversa paralela, na espantosa livraria Centésima Página: neste momento, só publicamos de Mia Couto para cima. E eu, de coração (ou ingenuidade) esmagado, comecei a medir-me aos palmos. Nunca poderia chegar ao tamanho do (meu) encantador Mia Couto.»

J. M. H.: O seu mais recente livro, As Falsas Memórias de Manoel Luz, é uma biografia que nos fala de flores e livros.  Em que se inspirou para escrever esta história?
M. F.: «No primeiro, A Vida Inútil de José Homem, andei pelas memórias da guerra colonial, como se precisasse de recriar o cenário do Estado Novo na minha cabeça: para quem veio ao mundo dos vivos já em tempos (aparentemente) democráticos, uma guerra em território ultramar parece apenas matéria cinematográfica. Neste segundo, As Falsas Memórias de Manoel Luz, acabei por alinhavar uma narrativa no seguimento temporal: atravessamos a Revolução de Abril, entre as metáforas dos livros e das flores, já que o livreiro se levanta entre dois homens de inspirações muito opostas, o senhor Prudente, de grandezas e luxos, muito interessado no lucro e no poder, e o senhor Luz, de simplezas e afectos, dedicado ao ofício de floreiro e cuidador das flores e dos outros, a simbolizar esta bipolaridade que vivemos dentro e fora do corpo, o bem e o mal, o capitalismo e a sustentabilidade social, o amor e o medo (e continuaríamos por linhas completas).»


J. M. H.:  O que mais gosta neste processo de escrita?
M. F.: «O exercício de compor as palavras, numa ordem particular, com musicalidade e simbolismo. E a criação de homens, mulheres e bichos, com as suas estranhezas e imperfeições, num grito de liberdade pela transparência, sem a intenção (artificial) de parecermos perfeitos por fora apesar dos buracos de vulnerabilidade por dentro.»

J. M. H.: Quais as suas grandes referências enquanto escritora?
M. F.: «Agrada-me mais a palavra encontro: e tenho tido encontros tão espantosos (e os que virão, ainda). José Saramago. Herberto Helder. Gabriel García Márquez. Jorge Luís Borges. Julio Cortázar. Truman Capote. Iréne Némirovsky. Franz Kafka. Tchékhov. Dostoiévski. E uma mão de nomes mais recentes. Mia Couto. Gonçalo M. Tavares. Herta Muller. Han Kang (nos meus braços, agora). Teria de espreitar a minha estante para continuar esta biografia de encontros.»

J. M. H.: Ouvimos muitas vezes os autores afirmarem que o processo de escrita concentra-se em 90% de trabalho e 10% de talento. Concorda?
M. F.: «Tempo é a palavra principal (para mim). Tempo para contemplar, para dialogar, para sentir, para perguntar, para viajar (por dentro). E para escrever, depois. Nunca penso em esforço ou talento mas na entrega temporal a um exercício que nos obriga a entrar numa cápsula depois dum intervalo de contemplações.»

J. M. H.: De todos os livros que já escreveu qual deles melhor define a sua escrita?
M. F.: «Mesmo o verbo escrever é dinâmico e, aparentemente, a minha escrita tem vindo a transformar-se sem que a minha cabeça (ou mãos) tenha consciência deste processo de mudança. Provavelmente, com o tempo (e todos os instantes de dúvida e experimentação e leitura), é a minha pessoa que tem vindo a metamorfosear-se, assim as borboletas, e essa renovação na forma de dentro acaba, inevitavelmente, por se diluir na forma da escrita.»

J. M. H.:  Enquanto leitora o que gosta mais de ler? E o que não gosta de ler?
M. F.: «Leio tudo. Se estiver numa fila de espera, posso até ler a tabela nutricional do produto que tenho em mãos ou a receita de uma salada improvável na revista emprestada. Ler é entrar num mundo novo, é despertar ideias, levantar os pés do chão... é escapar ao tédio. Há tantos lugares inóspitos no dia a dia. A espera num consultório. A espera numa repartição de finanças. A espera para renovar o cartão de cidadão. Os livros são territórios incríveis à nossa espera. Basta abrir uma página, pode ser ao acaso, e o milagre acontece.»

J. M. H.: Qual o livro da sua vida?
M. F.: «A lista poderia ser comprida, conforme o tempo e o lugar. Tantos os livros que me têm espantado, confortado, desafiado, até incomodado. Mas, a revisar a minha narrativa de vida, diria que o primeiro (grande) livro a criar em mim esse espanto pelo poder da escrita terá sido O Memorial do Convento, de José Saramago, leitura obrigatória (e como agradeço) no ensino secundário e ainda hoje invento na cabeça a passarola do padre Bartolomeu e o poder da Blimunda que pode ver por dentro.»

J. M. H.: Que projectos literários tem para o futuro?
M. F.: «Quando acabo um livro, a sentir-me desocupada de matéria, aviso sempre que pode ter sido o último. Analiso o meu tempo futuro e planeio usar mais horas noutros projectos, como o voluntariado e a protecção animal. Mas depois começam os primeiros cenários a virem à cabeça. Tento abafar as ideias que despontam mas o processo de instalação das novas companhias (leia-se personagens) está já num estado irreversível. Tenho uma história a fazer-se dentro de mim. Veremos o que o tempo traz.»


Marlene, muito obrigada por esta entrevista.


Nota: Opinião do livro As Falsas Memórias de Manoel Luz, de Marlene Ferraz em breve.
Boas leituras.  

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Opinião | "O Último dos Nossos", de Adéläide de Clermont-Tonnerre


Título: O  Último dos Nossos
Autor(a): Adéläide de Clermont-Tonnerre
Editora: Clube do Autor
Edição ou Reimpressão: 2017
Temática/Género: Literatura/Romance
N.º de Páginas: 410 páginas




Sinopse:
Dresden, 1945: sob um dilúvio de bombas, uma mãe agoniza para dar à luz o seu filho. Manhattan, 1969: um homem encontra a mulher da sua vida no coração da Big Apple.

Do inferno da Europa, em 1945, à Nova Iorque hippie. Neste romance premiado com o Grande Prémio do romance da Academia Francesa, Adelaide de Clermont-Tonnerre conta a história dos anos loucos vividos na pele por dois genuínos filhos do século XX: Werner Zilch, nascido na Alemanha no estertor da Segunda Guerra Mundial, e Rebecca Lynch, herdeira de um homem de negócios e de uma mulher que logrou escapar com vida ao campo de concentração de Auschwitz. Uma paixão louca e proibida num cenário histórico repleto de reviravoltas e marcado pelo suspense.

Werner Zilch é um jovem carismático e empreendedor. Adotado desde tenra idade, vê-se confrontado com a descoberta das suas origens, tudo menos gloriosas. Aos olhos dos outros, pode ser considerado responsável pelos erros cometidos pelos seus antepassados? Como aceitar que o seu progenitor estivesse ligado ao nazismo?

A par das personagens, surgem nomes que os leitores por certo reconhecerão, todos eles figuras marcantes do seu tempo. A saber: Andy Warhol, Truman Capote, tom Wolfe, Joan Baez, Patti Smith, Bob Dylan...

Uma complexa história de amor que é, ao mesmo tempo, um capítulo ficcionado da nossa História. O leitor não conseguirá pousar o livro enquanto não descobrir quem é, na verdade, «o último dos nossos». No fim, fica a pergunta: estaremos condenados a responder pelos crimes e pelo sofrimento dos nossos pais e avós?



Opinião:
Quem me segue sabe que um dos temas que mais gosto de ler é o Holocausto. E também gosto de histórias de amor. Sou uma romântica. Ora, um livro que conjugue tudo isto só pode ser uma boa leitura.

Uma história que vai alternando entre a Segunda Guerra Mundial em Dresden, na Alemanha e os Estados Unidos da América nos anos 60/70. Gosto deste género de narrativa, em que vamos conhecendo as diferentes perspectivas temporais. Permite-nos visualizar as acções na nossa cabeça e não se torna uma leitura confusa. 

Adorei a escrita. Muito cinematográfica, muito real. Sentimos que somos transportados para a época temporal descrita. A autora foi capaz de criar personagens interessantes e com uma grande profundidade psicológica. Embora nem sempre simpatizasse com Werner e Rebecca.

No entanto, não te trata de um livro cliché, onde vamos quase adivinhando o que se vai passar. Somos bastantes vezes surpreendidos pela autora com reviravoltas ao longo da história. 

Não posso deixar de referir o aspecto gráfico do livro. Bonito e cuidado. Felizmente que as editoras têm feito um esforço nesse sentido. Algo que a Clube do Autor tem feito bastante e está de parabéns por isso. Os leitores agradecem.  

Uma história que nos aquece a alma. Perfeita para se ler à lareira nesta altura do ano. 

Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Editora Clube do Autor em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  




segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Opinião | "Cartas a Um Jovem Escritor", de Colum McCann


Ficha Técnica:

Título: Cartas a Um Jovem Escritor
Autor(a): Colum McCann
Editora: Clube do Autor
Edição ou Reimpressão: 2017
Temática/Género: Literatura/Ensaios
N.º de Páginas: 196 páginas


Sinopse:
McCann aborda tudo o que um escritor precisa de saber, dos tópicos mais pragmáticos, como os cursos de escrita e o contacto com as editoras, às questões filosóficas e artísticas que atormentam e desafiam quem faz da escrita o seu modo de vida.


Opinião:
Como leitora compulsiva gosto de ler tudo. Principalmente de temas que me interessam. Já aqui referi que gosto de escrever. Como tal, quero e preciso de ler sobre o tema. As ideias soltas precisam de estrutura. Motivação e inspiração. Sendo Colum McCann um autor conceituado e regressando recentemente de um curso de Escrita Criativa em Istambul este livro caiu-me nos braços na melhor altura. Graças à simpatia da editora Clube do Autor que me enviou para opinião. 
Li-o de um assentada. Este é um livro que merece ser lido e relido. Sublinhado e cheio de anotações. Raramente o faço, confesso. Com este livro tudo isso mudou. Mas não consegui evitar. Com uma linguagem muito acessível, o autor dirige-se ao leitor na primeira pessoa. O que torna o discurso mais leve e pessoal. Sentimos a proximidade entre autor e leitor.


O autor dá conselhos práticos e simples a futuros escritores (independentemente da idade). Dicas sobre a construção de personagens, da narrativa, inspiração. Fala sobre o medo de falhar, curso de escrita criativa, editores, entre muitos outros temas.

Parece consensual entre os autores que escrevem sobre este tema que ninguém nos vai ensinar a escrever. Escreve-se, ponto final. É um trabalho que requer muita persistência e muita paciência, como o autor reforça diversas vezes no livro.


Uma leitura obrigatória para todos os futuros e potenciais escritores. Uma excelente prenda de Natal.

Boas leituras.

Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Editora Clube do Autor em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  




terça-feira, 28 de novembro de 2017

Opinião | "Refugiados", de José Jorge Letria


Título: Refugiados - 50 Vidas sem Pátria e com História
Autor(a): José Jorge Letria
Editora: Guerra & Paz
Temática/Género: História/História da Europa
N.º de Páginas: 184 páginas
Edição: 2017

Classificação: 4 estrelas



Sinopse:
Hoje, uma em cada 113 pessoas na Terra está deslocada, refugiada ou à espera de asilo. É a maior crise migratória forçada desde a Segunda Guerra Mundial: 65,6 milhões de seres humanos precisam de ajuda e protecção.

E eles podem ajudar-nos mais do que parece. Afinal, Albert Einstein, Sigmund Freud, Victor Hugo, Karl Popper eram refugiados. Conheça a história de superação de 50 refugiados que fizeram do nosso mundo, um mundo melhor. O mundo ajudou-os, eles devolveram em dobro a ajuda que receberam.



Opinião:
Este não é o primeiro livro que leio sobre o tema. Tenho uma "queda" para histórias de não-ficção. Histórias de vida. Neste livro, o autor José Jorge Letria apresenta-nos 50 figuras importantes da História que, em algum momento das suas vidas, se refugiaram noutro país em busca de uma vida melhor, de paz.

Não posso deixar de referir o aspecto gráfico deste livro. Muito cuidado, cosido na lombada. Com um grafismo muito bonito e atraente. A editora está de parabéns, não só pela temática, mas por tratar o livro quase como um objecto de arte. Os livros são para ler, mas podem ser bonitos. E este é para guardar.

Escrito de uma forma muito acessível, lê-se muito bem. Nada aborrecido. Cada figura é-nos apresentada como se de um bilhete de identidade se tratasse. Em poucas páginas o autor resume de uma forma esplêndida a vida de cada pessoa.

Aconselho a todos a lerem este livro. Vale mesmo a pena.

Boas leituras.


Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Editora Guerra & Paz em troca de uma opinião honesta.




segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Opinião | "Os Vícios dos Escritores", de André Canhoto Costa


Título: Os Vícios dos Escritores
Autor(a): André Canhoto Costa
Editora: Saída de Emergência
Temática/Género: Literatura/Biografias
N.º de Páginas: 384 páginas
Edição: 2017

Classificação: 4 estrelas



Sinopse:
SERÁ QUE UM LOUCO PODE ESCREVER UMA OBRA-PRIMA?
Os especialistas em literatura afirmam que a vida dos autores não tem utilidade para compreender os seus livros. Mas os estudos sobre as grandes obras literárias acabam sempre por explicá-las através da vida e personalidade dos escritores. Kafka era um hipocondríaco vegetariano com um gosto suspeito por menores; Eça de Queiroz, um mulherengo vaidoso com tendência para o cinismo; Camilo Castelo Branco, um maníaco-depressivo, com tendência para o jogo; Dickens manteve uma amante secreta e expulsou a mulher de casa; Gogol era um fanático religioso e um homossexual reprimido; Dostoiévski arruinou financeiramente a família no casino. 

Sendo assim, será que a chamada grande Literatura nos pode ensinar alguma coisa sobre a vida? Os Vícios dos Escritores é uma viagem rara e surpreendente sobre os segredos da Literatura, os enigmas da beleza e as imposturas da crítica literária.



Opinião:
Gosto de ler, mas também gosto de escrever. Gosto de saber o que vai na cabeça de um escritor. Como se inspira. É certo que são pessoas normais, com problemas e inquietações como todos nós. Mas acho que temos tendência para idolatrar os nossos escritores preferidos. Este livro vem desmistificar  um pouco isso. Torna os escritores reais.

Não é um livro para ser ler de uma rajada. É para se ir lendo, aos poucos. Para mim, só fez sentido assim. Tem muita informação. É notável todo o trabalho de investigação por parte do autor. Ao longo destas páginas encontramos aquilo que considero mini-biografias. É impressionante. Sabemos um pouco da sua vida e da sua história. 

Um livro um pouco denso, mas fácil de ler. Uma escrita muito irónica, com muito humor, por vezes até sarcástica. O autor tende a referir-se na terceira pessoa como "o autor". Facto que achei interessante.

Recomendo a quem gosta de conhecer histórias de vida. Fez-me querer conhecer melhor alguns dos escritores aqui mencionados.

Leiam!

Boas leituras.


Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Editora Saída de Emergência em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.