terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Opinião | "As Falsas Memórias de Manoel Luz", de Marlene Ferraz





Este é um livro sobre flores e livros. A capa não engana. Capa essa que está muito bem conseguida. Uma edição bonita, cuidada. Nós, amantes de livros e da leitura gostamos de livros bonitos. E isso é algo que esta editora já nos vai habituando. 

Marlene Ferraz tem um estilo de escrita muito peculiar. Ao longo da narrativa acompanhamos a vida de Manoel Luz, filho de um floreiro, depressa vê a sua vida rodeado de livros. Um livro que prometia tanto pela sua edição, como pela história.

Não somos feitos para todos os livros e nem todos os livros são feitos para nós. Algo na história não me cativou quanto gostaria. Estou certa que será um livro que agradará a muitos. Com uma escrita quase poética.  

No entanto, não deixem de ler este livro. Uma história de livros e flores não se pode, nem deve, recusar.

Boas leituras.


Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Editora Minotauro em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Um Ano com a Jodi | Fevereiro 2018



Olá a todos.

Aqui fica o vídeo com o livro escolhido para o mês de Fevereiro. Contamos convosco?

Boas leituras.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Opinião | "Quem conta um conto acrescenta um ponto - Atividades de leitura recreativa e de escrita criativa", de Ana Viegas


Título: Quem conta um conto acrescenta um ponto - Atividades de leitura recreativa e de escrita criativa"Autor(a): Ana Viegas
Editora: Lidel
Temática/Género: Ensino e Educação/Ensino de Português no Estrangeiro
N.º de Páginas: 140 páginas
Edição: 2017


Sinopse:
Quem Conta um Conto Acrescenta um Ponto é o primeiro de três complementos lúdico-didáticos que, a partir de textos da literatura oral portuguesa fixados em escrita, promovem atividades de leitura recreativa e de escrita criativa. Destina-se a um público jovem e adulto e tem como objetivo desenvolver as competências co-municativas em língua (linguísticas, sociolinguísticas e pragmáticas).

Encontra-se organizado em três partes: 
- A Parte I explora os conceitos de literatura oral, conto popular português, leitura recreativa e escrita criativa; 
- A Parte II compreende 20 oficinas de leitura recreativa e de escrita criativa com base em 20 contos populares portugueses, repartidas pelos níveis B1 e B2 do QECR e do Qua-REPE, com grau de dificuldade crescente, abrangendo, geralmente, atividades de pré-leitura, leitura, pós-leitura, planificação, textualização e revisão; 
- A Parte III contém um dicionário de criação pessoal a ser preenchido com a definição em contexto da palavra adquirida, um sinóni-mo e um antónimo.

Quem Conta um Conto Acrescenta um Ponto segue uma abordagem comunicativa e orientada para a ação, o que implica uma participação ativa quer do ensinante quer do aprendente, podendo ser utilizado tanto em contexto de aprendizagem formal, mediado pelo professor, como de aprendizagem não formal, autonomamente.

As soluções das atividades encontram-se no final do livro.



Opinião:
Recebi a informação deste livro com uma enorme surpresa. Porquê? Porque conheço a autora e desconhecia este seu projeto. No entanto, fiquei muito feliz por esta conquista. E sendo este um livro sobre a promoção da leitura é um pouco óbvio (para mim) que teria que o ler.

Este é um livro técnico sobre a promoção da leitura e escrita criativa para o ensino da língua portuguesa como língua estrangeira. A autora é formada em línguas e tem experiência como docente da língua portuguesa para estrangeiros. Como docente, sempre sentiu a necessidade de algumas actividade lúdicas que complementasse a sua função. Logo, este livro é dirigido a docentes da língua portuguesa para estrangeiros.

Todas as propostas apresentadas são baseadas em contos populares de Teófilo Braga, Adolfo Coelho e Consiglieri Pedroso. Facto que achei bastante interessante. Em todas as actividades a autora indica a duração da mesma, bem como algumas dicas práticas para os alunos e professores. 

A autora utiliza uma linguagem bastante acessível e aborda o leitor na primeira pessoa, de forma a estabelecer uma proximidade com o mesmo. Achei as actividades acessíveis, interessantes e criativas. Gostei bastante da abordagem da autora. Fiquei bastante interessada e motivada para conhecer a obra literária destes autores. 

Recomendo apenas a interessados por este assunto.

Boas leituras.

Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Editora Lidel em troca de uma opinião honesta.
Para mais informações sobre o livro clique aqui.  

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

YouTube "Jardim de Mil Histórias" | Resultado do sorteio de Natal + Objectivos para 2018

Vencedores de Passatempo do 3.º Aniversário do Blogue




Em primeiro lugar um Feliz 2018 para todos. Que seja um ano em grande, cheio de sucessos pessoais e profissionais. Muita paz, amor, saúde e alegria. Que venha 2018!

E como já não era sem tempo deixo-vos os vencedores dos passatempos do 3.º aniversário do blogue. Tardou, eu sei. Mil desculpas por isso.

Bom ano e boas leituras a todos!


Imagina que não estou aqui, de Adam Haslett
Jorge Almeida - Lisboa

Londres de Shakespeare por cinco groats ao dia, de Richard Tames | Editorial Bizâncio

Arnaldo Teixeira - Santo Tirso

O Último dos Nossos, de Adéläide de Clermont-Tonnerre | Clube do Autor
Paula Coimbra - Ponta Delgada

Os Vícios dos Escritores, de André Canhoto Costa | Saída de Emergências
Regina Filipe, das Caldas da Rainha

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Conversas de Mil Histórias | Marlene Ferraz



Hoje trago-vos uma entrevista a Marlene Ferraz, autora do romance As Falsas Memórias de Manoel Luz, da editora Minotauro

                                   

Curiosos para conhecer um pouco mais desta autora? Então fiquem por aí.

Jardim de Mil Histórias: Como surgiu o seu gosto pela escrita?

Marlene Ferraz: «Depois do espanto pela leitura. Seria uma criança muito metida em contemplações, incomodada com o sofrimento evitável nos homens e nos bichos: ficava exageradamente comovida quando me confrontava com um pássaro ferido por um chumbo, uma borboleta com as asas gastas pela curiosidade das crianças ou um cão tão magro que poderia contar-se os ossos. E toda a violência entre homens e homens. Os livros, companheiros de horas intermináveis, resgatavam-me para outras realidades, também duras, improváveis, mas carregadas de ilusão e esperança. Como um escafandro. Ou um outro compartimento de oxigénio. Conviver com o sofrimento pede uma carga suficiente de ilusão.»

J. M. H.: A Marlene é formada em Psicologia. Como isso influencia a sua escrita?
M. F.: «O ofício da Psicologia obriga ao exercício de nos descentrarmos o mais possível da criatura que somos para nos focarmos no outro: há um desprendimento dos nossos posicionamentos (leia-se enviesamento) e uma aceitação incondicional da pessoa que temos diante. A vulnerabilidade acaba por ser a matéria de apreciação e produção: receber, com a maior transparência, as fragilidades do outro e ensaiar novas formas de ver a realidade que incomoda, como se tivéssemos em mãos um caleidoscópio. É provável que esta proximidade com o sofrimento e a renovação, neste processo infinito de redenção, esteja nas entrelinhas das (minhas) narrativas.»

J. M. H.: Já recebeu diversos prémios literários. Como reagiu a este reconhecimento?
M. F.: «Os prémios literários acabam por ampliar a coragem que precisamos para publicar: num mercado livreiro tão intimidante, em que um número infinito de livros chegam continuamente às livrarias, com listas dos mais vendidos e etiquetas de prémios internacionais, mais todos os livros espantosos doutros tempos, só com uma dose mínima de loucura (e coragem) para nos entregarmos a um desafio tão privado mas também comercial. É uma realidade paradoxal. Lembro-me de ser mais menina e ouvir um editor de maior grandeza dizer, numa conversa paralela, na espantosa livraria Centésima Página: neste momento, só publicamos de Mia Couto para cima. E eu, de coração (ou ingenuidade) esmagado, comecei a medir-me aos palmos. Nunca poderia chegar ao tamanho do (meu) encantador Mia Couto.»

J. M. H.: O seu mais recente livro, As Falsas Memórias de Manoel Luz, é uma biografia que nos fala de flores e livros.  Em que se inspirou para escrever esta história?
M. F.: «No primeiro, A Vida Inútil de José Homem, andei pelas memórias da guerra colonial, como se precisasse de recriar o cenário do Estado Novo na minha cabeça: para quem veio ao mundo dos vivos já em tempos (aparentemente) democráticos, uma guerra em território ultramar parece apenas matéria cinematográfica. Neste segundo, As Falsas Memórias de Manoel Luz, acabei por alinhavar uma narrativa no seguimento temporal: atravessamos a Revolução de Abril, entre as metáforas dos livros e das flores, já que o livreiro se levanta entre dois homens de inspirações muito opostas, o senhor Prudente, de grandezas e luxos, muito interessado no lucro e no poder, e o senhor Luz, de simplezas e afectos, dedicado ao ofício de floreiro e cuidador das flores e dos outros, a simbolizar esta bipolaridade que vivemos dentro e fora do corpo, o bem e o mal, o capitalismo e a sustentabilidade social, o amor e o medo (e continuaríamos por linhas completas).»


J. M. H.:  O que mais gosta neste processo de escrita?
M. F.: «O exercício de compor as palavras, numa ordem particular, com musicalidade e simbolismo. E a criação de homens, mulheres e bichos, com as suas estranhezas e imperfeições, num grito de liberdade pela transparência, sem a intenção (artificial) de parecermos perfeitos por fora apesar dos buracos de vulnerabilidade por dentro.»

J. M. H.: Quais as suas grandes referências enquanto escritora?
M. F.: «Agrada-me mais a palavra encontro: e tenho tido encontros tão espantosos (e os que virão, ainda). José Saramago. Herberto Helder. Gabriel García Márquez. Jorge Luís Borges. Julio Cortázar. Truman Capote. Iréne Némirovsky. Franz Kafka. Tchékhov. Dostoiévski. E uma mão de nomes mais recentes. Mia Couto. Gonçalo M. Tavares. Herta Muller. Han Kang (nos meus braços, agora). Teria de espreitar a minha estante para continuar esta biografia de encontros.»

J. M. H.: Ouvimos muitas vezes os autores afirmarem que o processo de escrita concentra-se em 90% de trabalho e 10% de talento. Concorda?
M. F.: «Tempo é a palavra principal (para mim). Tempo para contemplar, para dialogar, para sentir, para perguntar, para viajar (por dentro). E para escrever, depois. Nunca penso em esforço ou talento mas na entrega temporal a um exercício que nos obriga a entrar numa cápsula depois dum intervalo de contemplações.»

J. M. H.: De todos os livros que já escreveu qual deles melhor define a sua escrita?
M. F.: «Mesmo o verbo escrever é dinâmico e, aparentemente, a minha escrita tem vindo a transformar-se sem que a minha cabeça (ou mãos) tenha consciência deste processo de mudança. Provavelmente, com o tempo (e todos os instantes de dúvida e experimentação e leitura), é a minha pessoa que tem vindo a metamorfosear-se, assim as borboletas, e essa renovação na forma de dentro acaba, inevitavelmente, por se diluir na forma da escrita.»

J. M. H.:  Enquanto leitora o que gosta mais de ler? E o que não gosta de ler?
M. F.: «Leio tudo. Se estiver numa fila de espera, posso até ler a tabela nutricional do produto que tenho em mãos ou a receita de uma salada improvável na revista emprestada. Ler é entrar num mundo novo, é despertar ideias, levantar os pés do chão... é escapar ao tédio. Há tantos lugares inóspitos no dia a dia. A espera num consultório. A espera numa repartição de finanças. A espera para renovar o cartão de cidadão. Os livros são territórios incríveis à nossa espera. Basta abrir uma página, pode ser ao acaso, e o milagre acontece.»

J. M. H.: Qual o livro da sua vida?
M. F.: «A lista poderia ser comprida, conforme o tempo e o lugar. Tantos os livros que me têm espantado, confortado, desafiado, até incomodado. Mas, a revisar a minha narrativa de vida, diria que o primeiro (grande) livro a criar em mim esse espanto pelo poder da escrita terá sido O Memorial do Convento, de José Saramago, leitura obrigatória (e como agradeço) no ensino secundário e ainda hoje invento na cabeça a passarola do padre Bartolomeu e o poder da Blimunda que pode ver por dentro.»

J. M. H.: Que projectos literários tem para o futuro?
M. F.: «Quando acabo um livro, a sentir-me desocupada de matéria, aviso sempre que pode ter sido o último. Analiso o meu tempo futuro e planeio usar mais horas noutros projectos, como o voluntariado e a protecção animal. Mas depois começam os primeiros cenários a virem à cabeça. Tento abafar as ideias que despontam mas o processo de instalação das novas companhias (leia-se personagens) está já num estado irreversível. Tenho uma história a fazer-se dentro de mim. Veremos o que o tempo traz.»


Marlene, muito obrigada por esta entrevista.


Nota: Opinião do livro As Falsas Memórias de Manoel Luz, de Marlene Ferraz em breve.
Boas leituras.  

domingo, 24 de dezembro de 2017

Feliz Natal 2017!


O blogue Jardim de Mil Histórias deseja-vos um Feliz Natal 2017 com muita paz, amor, saúde e muitos livros.

E como todos queremos e precisamos de descansar irei estar mais ausente até ao final do ano. Mas regressarei com mais opiniões e muitas novidades para 2018.

Uma noite feliz para todos e boas leituras.