terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Conversas de Mil Histórias | Luize Valente


A convidada de hoje da rubrica Conversas de Mil Histórias é a autora Luize Valente. Autora do livro Uma Praça em Antuérpia e, mais recentemente, de Sonata em Auschwitz. Dois livros que já li e recomendo.

Luize Valente


Jardim de Mil Histórias: Como surgiu este seu interesse pela comunidade judaica?

Luize Valente: Desde muito jovem. Não sou judia. Meu pai foi quem me deu os primeiros livros com temáticas ligadas ao Holocausto. Livros como Treblinka e o Diário de Anne Frank, entre outros. Guardo até hoje um desenho que fiz, por volta dos 10 anos de idade,  da chegada de um comboio num sítio cercado por arame farpado, onde é  possível identificar pessoas com uniforme às riscas, um grupo musical num coreto, soldados, pilhas de malas no chão. Um desenho que remete a um campo de concentração.


J. M. H.: O seu mais recente livro “Sonata em Auschwitz” foi lançado recentemente. Em que se inspirou para escrever esta história?

L. V.: Sonata em Auschwitz narra a busca  da jovem portuguesa Amália pela verdadeira história de sua família depois de descobrir que seu avô alemão, Friedrich, foi um oficial nazista. Ele desapareceu após salvar uma criança judia do campo de concentração de Auschwitz. É uma ficção inspirada num facto real. Conheci uma sobrevivente do Holocausto, Maria Yefremov, que faleceu no final de 2017, aos 103 anos. Maria chegou grávida em Auchwitz, em 1944. Passou pela seleção do Dr. Mengele, o anjo da morte, e foi mandada para trabalhos forçados. O resto da família, com exceção de uma irmã, foi directamente para a câmara de gás. Maria escondeu a gravidez até o momento de dar à luz, num barracão imundo, em condições desumanas. O bebé, no entanto,  lhe foi imediatamente tirado por um soldado alemão. Maria só teve tempo de perceber que era uma menina. Essa história me marcou profundamente. Fiquei dias pensando na história, na dor daquela mãe, na covardia e crueldade daquele soldado. Sonata em Auschwitz nasceu da indignação. E se eu pudesse mudar o final desta história? E se esse soldado salvasse a bebé  ao invés de levá-la para a morte? A trama seguiu daí.


J. M. H.: A Luize é jornalista, como tal conhece todo o trabalho de pesquisa para a escrita. Como correu a pesquisa para este livro?

L. V.: Eu costumo dizer que a pesquisa histórica é o chão onde caminho para escrever minhas histórias. Para que o romance histórico envolva o leitor, é preciso haver verossimelhança interna, é preciso que os fatos históricos  sejam realmente reais, as datas, os locais. Faço uma pesquisa bem apurada, em livros, na internet, entrevisto as pessoas, viajo aos locais onde a narrativa se desenvolve. Para o Sonata em  Auschwitz visitei o campo de concentração nazi, localizado na Polónia, por três dias,  além de outros sítios por onde os personagens passam e vivem.


J. M. H.: Quais as suas grandes referências enquanto escritora?

L. V.: São tantas! Sou uma leitora compulsiva desde criança! A leitura foi e é a base da minha formação  como  escritora. Uma pergunta impossível de responder pois seria injusta com tantos autores que me influenciaram e influenciam. Vou citar três deles: Eça de Queiroz , Dostoievski e Primo Levi.


J. M. H.: Enquanto leitora o que gosta mais de ler? E o que não gosta de ler?

L. V.: Como respondi anteriormente, sou uma leitora compulsiva! E leio de tudo, do policial aos clássicos, passando por biografias, não – ficção, bestsellers, etc. E, claro, tenho uma atração especial por romances históricos e livros de História.   


J. M. H.: O que é que os leitores podem esperar deste romance?

L. V.: Para esta resposta, faço uso das palavras do escritor brasileiro, Francisco Azevedo, sobre o livro: "com descrições de tirar o fôlego e diálogos que revelam o que há de melhor e mais cruel no ser humano, ninguém ficará indiferente ao ouvir esta Sonata em Auschwitz." 


Muito obrigada à Luize por esta entrevista. Recomendo a todos a leitura deste livro A Sonata em Auschwitz

Boas leituras.

4 comentários:

  1. Olá Isa,
    Excelente entrevista! Adorei!
    Beijinhos

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  2. Olá Isa,

    Foi muito bom ler esta entrevista. Tenho o livro "Uma praça em Antuérpia" para ler e a conclusão que tiro depois de ler as palavras da autora é que tenho de ler o livro o quando antes. :)
    Beijinhos

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    1. Olá Silvana,
      Sim lê que esse acho que vais gostar bastante. Eu adorei esse. Recomendo mesmo.
      Um beijinho

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